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Quando a ansiedade domina a sua vida
Quando a ansiedade domina a sua vida
Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +
Aquela ansiedade excessiva, que muitas vezes, sem nenhum estímulo stressor aparente atinge o pico em poucos minutos e que traz com ela uma sensação horrível de estar a ter, ou um ataque cardíaco ou a enlouquecer, deixa as pessoas completamente apavoradas e acaba por condicionar a sua vida. A partir daí, muitas vezes, as pessoas têm medo de voltar a ter esses sintomas, essas crises.
Infelizmente, principalmente após a pandemia, as perturbações de ansiedade têm aumentado na população portuguesa. O estudo “Saúde Mental em tempos de pandemia” indicou que cerca de 25% dos inquiridos apresentaram sintomas moderados a graves de ansiedade, depressão e stress pós-traumático. Este resultado está a par com outros estudos a nível mundial, mostrando o impacto que a covid-19 teve na saúde mental das pessoas e no seu bem-estar.
Isto significa que até crianças e jovens passaram a experienciar, mais vezes, esta “ansiedade excessiva” e disfuncional que, muitas vezes, se não tiver o acompanhamento devido poderá levar a desenvolver perturbações de ansiedade como a perturbação do pânico.
Importa, no entanto, distinguir brevemente a ansiedade “normal”, que faz parte do nosso dia a dia, e que todos nós já sentimos, principalmente em determinadas situações como uma avaliação na escola, uma entrevista de emprego, um ato médico (exame, consulta, cirurgia) ou até situações desconhecidas; das crises de ansiedade ou dos ataques de pânico.
A ansiedade pode até ser saudável e positiva, pois ajuda-nos a focar e a concentrar. O problema é quando ela chega a um nível de intensidade extrema e interfere na nossa capacidade funcional e com o nosso desempenho. Estamos, nesse caso, perante um problema de Saúde Psicológica.
Um ataque de pânico consiste num período abrupto de medo e desconforto intenso que atinge o seu pico em alguns minutos, podendo manifestar-se através de sintomas físicos e cognitivos, nomeadamente: taquicardia, ritmo cardíaco acelerado, suores, sensação de dificuldade em respirar, desconforto ou dor no peito, náuseas e sensação de tontura, cabeça vazia ou desmaio, medo de perder o controlo ou de “enlouquecer”, medo de morrer.
Perante uma situação destas, nem sempre as crianças conseguem explicar e verbalizar o que estão a sentir. É importante os pais e professores estarem atentos quando as crianças são mais ansiosas para rapidamente poderem pedir ajuda. Até porque, felizmente, existem intervenções psicológicas bastante eficazes para ajudar as crianças a saberem lidar com a sua ansiedade e aprenderem a reduzi-la.
Quando já existe um diagnóstico de Perturbação de Pânico, e perante uma crise (novo ataque de pânico), é essencial ajudar a criança a controlar a respiração, relembrar que é um ataque de pânico e que não vai morrer por causa disso, distraindo-a com outras coisas.
Infelizmente, estas perturbações de ansiedade existem em qualquer faixa etária, por isso, não negligencie os sinais e se considerar que o seu filho ou a sua filha sofrem com esta realidade, procure imediatamente ajuda de um psicólogo, que vos ajudará a saber identificar os sinais e a encontrar as melhores estratégias para gerir e reduzir a ansiedade.
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Atualizado em: 2023
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