REGRESSO ÀS AULAS: "INFERNO" OU "PARAÍSO"?

EO 2021 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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Setembro é, por excelência, o mês do regresso às aulas e do começo de um novo ano letivo, para o qual todos os intervenientes - pais, alunos, professores, pessoal não docente - criam novas expectativas.

Uns regressam de “sorriso nos lábios”, ansiosos por rever os colegas, amigos e contar as aventuras das férias. Outros, pelo contrário, vêm tristes porque as férias acabaram, ansiosos e preocupados com o novo ano letivo.

“O que irá acontecer?”; “Lá vão voltar os T.P.C., as fichas, os testes, os trabalhos de grupo e as apresentações nas aulas….”; “E no recreio… será que vão gozar comigo outra vez?”; “Será que vou passar de ano?”. Estas são algumas das preocupações que invadem os pensamentos de alguns dos alunos. Geralmente, estas preocupações são vivenciadas por crianças mais ansiosas, com dificuldades escolares e/ou dificuldades de adaptação ou que estejam em transição de ciclo, ou mudança de escola ou crianças que sejam mais introvertidas.

“Que bom que vou voltar à escola para continuar a aprender coisas novas!”; “Estou ansioso(a) por voltar a estar com os meus amigos!”; “Será que iremos ter novos colegas na turma? Isso seria muito bom!”. Estes poderão ser os pensamentos das crianças que gostam da escola, que gostam de aprender, que se sentem bem na escola e que estão bem integradas na turma, sem problemas ao nível das relações interpessoais.

Os pais destas crianças têm o “trabalho facilitado” e, por vezes, custa-lhes mais a eles o retomar das rotinas e dos horários, do que aos próprios filhos.  Já os pais das crianças mais ansiosas e que não encaram o regresso às aulas de forma tão positiva, chegam a desesperar com esta situação.

E nesse caso, o que poderão fazer para ajudar?

Em primeiro lugar, transmitir, dentro do possível, segurança e confiança às crianças, pois isso irá ajudá-las a superar os seus medos e ansiedades. Se as crianças se aperceberem dos receios, angústias e/ou das expetativas mais negativas dos próprios pais acerca da escola e do regresso às aulas, acaba por ser mais difícil adotarem uma postura positiva.

É também muito importante validar os sentimentos e preocupações das crianças, mostrando compreensão, tranquilizando-as e ajudando-as a ver a escola e situação de uma perspetiva mais otimista.

No caso de mudanças de escola, e sempre que a Instituição de Ensino o permita, dar-lhes a conhecer a escola, antes mesmo das aulas começarem e deixarem-nos participar nas atividades de integração, que algumas escolas, e bem, já promovem é essencial.

Podem também relembrá-las de outros momentos de mudança ou transição que tiveram no passado e que acabaram por ser bem sucedidos. Caso não o tenham sido, ajudá-las a pensar e a acreditar que “lá porque não correu bem no passado, não quer dizer que desta vez não corra bem”. Poderão analisar, em conjunto, o que não correu tão bem e agora encararem este regresso como uma nova oportunidade de “recomeçar”, desta vez, de forma positiva.

Se verificarem que o mal-estar e o desconforto da criança com este regresso às aulas é tão grande que está a interferir, de forma significativa, no seu dia a dia, alterando padrões de sono, apetite, comportamentos, humor; não hesitem em procurar ajuda de um psicólogo para vos ajudar a recuperar o bem-estar psicológico e a encontrar as estratégias adequadas à vossa situação para lidar com as preocupações, diminuir a ansiedade e permitir que o vosso filho possa “entrar com o pé direito” no próximo ano letivo.

Estas são apenas algumas sugestões para regressar às aulas de forma confiante e otimista.

Que este retomar de rotinas, mesmo que não seja um “paraíso”, não seja encarado como um “inferno”.

Faço votos para que, neste ano letivo, as vossas expetativas positivas se concretizem ou até mesmo, sejam superadas e as expetativas mais pessimistas fiquem por concretizar.

Bom regresso às aulas para todos!

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

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