DESPERTAR DE EMOÇÕES

EO 2016 Educação Especial | Fonte: Rita Maia, Musicoterapeuta
  • slider

A Musicoterapia aplicada a crianças e jovens com Necessidades Educativas Especiais.

A musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), exercida por um técnico habilitado, com um ou mais pacientes, num processo relacional que facilita e promove a comunicação, a relação, a aprendizagem, a mobilização, a expressão, a organização do pensamento e outros objetivos terapêuticos relevantes no sentido de ir ao encontro das necessidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais dos pacientes.

Em Musicoterapia, o poder da música é utilizado para atingir objetivos terapêuticos mantendo, melhorando e restaurando o funcionamento físico, cognitivo, emocional e social das pessoas. A partir desta relação, é que a Musicoterapia estabelece a sua base de trabalho. É uma abordagem que utiliza toda e qualquer manifestação sonora para produzir efeitos terapêuticos. Através do uso da música, de sons e de movimento, estabelece-se uma relação de ajuda, onde a Musicoterapia tem como objetivo auxiliar o paciente em necessidades como a prevenção, a reabilitação, bem como a melhor interação do indivíduo com a sociedade. A música é o canal de comunicação.

A música vem sendo utilizada como cura desde os primórdios da humanidade, mas estabeleceu-se como ciência somente após a Segunda Guerra Mundial. A Associação Portuguesa de Musicoterapia, existente desde 1996, é a entidade de referência, reconhecida pela Federação Europeia de Musicoterapia, que regula e orienta o processo da  acreditação dos musicoterapeutas em Portugal.

A Musicoterapia tem inúmeras aplicações, a várias populações e tipologias, entre elas síndromes genéticas como Down, Turner e Rett, distúrbios neurológicos, distúrbios emocionais, deficiências sensoriais, visuais e auditivas, autismo, dificuldades de aprendizagem, entre outras.

A musicoterapia possibilita um enquadramento não verbal através do qual as pequenas diferenças de comportamento se tornam evidentes nos processos intra ou inter pessoais em crianças com perturbações da relação e da comunicação. Essas diferenças podem ser encontradas no comportamento musical. O musicoterapeuta pode a este nível contribuir para a avaliação e diagnóstico global dos pacientes em musicoterapia ao nível da avaliação específica das capacidades sensoriomotoras, cognitivas (atenção, memória, jogos de antecipação e sequência lógica) perceção visual e auditiva e comunicação interpessoal.

Em Musicoterapia, existe um plano terapêutico, elaborado pelo musicoterapeuta, em consonância, ou não, com os técnicos da equipa multidisciplinar. Os objetivos gerais variam de acordo com as características do grupo ou indivíduo, suas necessidades e peculiaridades.

Contudo, alguns objetivos da musicoterapia com crianças ou jovens com necessidades educativas especiais são:
- Estimular a comunicação (verbal e não verbal);
- Estimular a expressão corporal, vocal e sonora;
- Melhorar a autoestima;
- Explorar as potencialidades e a conscientização dos próprios limites;
- Estimular a coordenação motora grossa e fina através de atividades musicais, utilizando instrumentos musicais de percussão simples;
- Desenvolver a orientação espacial e corporal através de vivências musicais;
- Desenvolver a capacidade de atenção e concentração;
- Estimular a imaginação e criatividade;
- Promover um melhor relacionamento intra e interpessoal.

Independentemente das necessidades provenientes de cada patologia, a Musicoterapia valoriza a expressão de cada indivíduo, respeitando as suas particularidades e auxiliando-o nas suas dificuldades, como um ser global.

Conteúdo desenvolvido por, Rita Maia
Musicoterapeuta
Doutoranda em Ciências da Educação
Mestre em Musicoterapia
Especialização em Educação Especial
Licenciatura em Educação de Infância