AUTOESTIMA: A BASE DE TUDO?

EO 2021 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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Sabia que a autoestima é um dos melhores fatores protetores face às adversidades?

É verdade, ter uma boa autoestima é um excelente contributo para a nossa qualidade de vida e bem-estar psicológico, ajudando também na nossa motivação e satisfação pessoal. Poderá ser a diferença entre a criança ir “à luta” face a uma dificuldade, um obstáculo, ou simplesmente desistir por achar que não vai ser capaz.

Mas, sabia que a autoestima se vai construindo, diariamente, e que os pais, através do seu exemplo, ou até mesmo da sua linguagem na interação com a criança podem influenciar esta “construção”?

Já ponderou se é um “bom exemplo” em termos de autoestima? Como lida com os insucessos e com as dificuldades? Valoriza as suas capacidades? Acredita que é único e especial? Reconhece as suas limitações? E o que faz com as mesmas: aceita-as ou vitimiza-se e sente-se inferiorizado?

E em relação à linguagem que utiliza na interação com os seus filhos? Sabia que, as palavras têm um enorme poder e muitas vezes, desvalorizamos os “estragos” que podem causar nas crianças? As palavras, quando repetidas com alguma frequência, podem mesmo tornar-se profecias auto confirmatórias e levar a criança a ver-se como os outros a descrevem ou a deixar de acreditar nas suas capacidades. E sabemos que essas palavras, que são interiorizadas como negativas pelas crianças, acabam por ter, também, implicações negativas no desenvolvimento da sua autoestima.

Pare para pensar se o discurso que utiliza com o seu filho é mais motivador, com uma tónica mais positiva ou otimista, ou é mais castrador, mais crítico, com uma tónica mais destrutiva do que construtiva. Encontrar este equilíbrio não é nada fácil, mas é muito diferente dizer: “Só 80% no teste? Tens obrigação de ter muito mais… ainda por cima erraste coisas tão fáceis!” ou então “80% no teste? Fico muito feliz! Até porque no outro tinhas tido 70%... foi uma conquista! Achas que deste o teu melhor? Gostavas de ter mais? Acredito que tens capacidade para isso. Vamos ver o que erraste para poderes aprender com os erros. Mas quero que saibas que estou mesmo feliz com a tua nota”.

E esta é outra questão essencial na construção da autoestima… a forma como se lida com os erros. Ninguém é perfeito e errar é humano. Assim sendo, a forma como os pais ajudam os filhos a lidar com os erros é essencial para a construção duma autoestima saudável. Vivemos numa sociedade pressionada com os padrões de perfeição e de termos que ser os melhores dos melhores, o que pode trazer muitos dissabores a muitas crianças. Muitas delas vivem numa busca incessante pela perfeição, pois parece que nunca são suficientemente boas, e nem lhes é permitido saborear as vitórias que vão tendo e as conquistas que vão fazendo. E isso não é saudável.

Se acha que os seus filhos estão com problemas ao nível da autoestima, é altura de refletir no porquê e investir em ajudá-los a melhorar esta competência que é imperativo promover, seja em que idade for. Mesmo que para isso precise de ajuda de um profissional.

Sabia que existem estudos que apontam para o facto de que uma das características psicológicas que as pessoas apresentam quando se encontram excessivamente dependentes da internet (jogos, redes sociais, etc.) é a baixa autoestima? Pois é, ao que parece verificou-se uma correlação significativa e negativa entre autoestima e dependência da net. Ou seja, quanto menores os níveis de autoestima, maior a probabilidade de se enveredar por comportamentos desadaptativos na internet. E não só. Existem outros comportamentos de risco ou desadaptativos em termos de relacionamentos interpessoais que podem ter por base níveis significativos de baixa autoestima. Muitas vezes, até os problemas de desempenho escolar ou desempenho noutras áreas (desporto, etc.) têm na base uma dificuldade em acreditar nas suas próprias capacidades.

Simplificando, autoestima é a estima que temos por nós próprios, é o gostar de nós, o valorizarmo-nos, mesmo que os outros não o façam. Devemos conhecermo-nos melhor do que ninguém e saber quais as nossas forças e virtudes, bem como quais as nossas fragilidades e inseguranças. Mas, será que as conhecemos assim tão bem? E será que as aceitamos? E os nossos filhos?

Pense nisto: procure os “tijolos” certos para a construção da sua autoestima e da dos seus, pois ela é a “base” de muita coisa.

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

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