AUTISMO E COMUNICAÇÃO NA QUARENTENA

EO 2020 Educação
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Sabe aquela angústia que sentimos quando estamos a tentar explicar uma coisa a alguém e essa pessoa não consegue entender nada do que falamos? Pois é... é que comunicar vai muito além da fala… envolve sentimentos, saber ouvir, saber se exprimir, ou seja, é uma troca.

No autismo já sabemos que a comunicação é ainda mais complexa, pelo desenvolvimento social ser o grande desafio nesta condição.

As respostas dadas pelas crianças com autismo, na maioria das vezes, não são aquelas esperadas por nós, porque queremos que elas se comuniquem connosco a nossa maneira, geralmente pela fala, deixando de lado todo o processo importante dos sentimentos ou  da expressão e comunicação não verbal. Dificilmente esta criança vai "dizer" com palavras o que ela quer comunicar.

Assim, como nessa quarentena estamos com tempo para compreender melhor a nossa relação com os nossos filhos, é válido refletir que o que deve anteceder a nossa comunicação convencional com estas crianças é compreender o comportamento delas, e para isso, devemos observá-las e conhecê-las para depois registar alguns acontecimentos importantes.
Desta forma torna-se mais possível conseguir prever situações, antecipar e evitar comportamentos, além de proporcionar uma melhor comunicação e contribuir com o desenvolvimento social das crianças com autismo.

Deixo-vos aqui, algumas sugestões de perguntas para orientar o vosso roteiro de observação:

Por que o meu filho/aluno é agressivo?
Em que situação esta agressividade ocorre?
Em que lugar?
Tempo?
Quais são as pessoas envolvidas?
Como posso entender o comportamento de oposição?
Por que ele não faz esta atividade?
Como ele comunica algo que quer ou não quer?
Do que ele gosta ou não gosta?
Quais são os seus brinquedos preferidos?

É um fato que os nossos ritmos diários são muito acelerados  e nem sempre, com os horários e tarefas a  serem cumpridos, conseguimos nos comunicar com qualidade. Comunicamos muito na base das instruções e cumprimentos das regras, não permitindo, e claro que não é de forma intencional, que esta comunicação seja uma “relação comunicativa”.

Muitas vezes, as circunstâncias forçadas nos obrigam a mudar, e a necessidade de se estreitar os laços e a comunicação entre as pessoas de uma família são recorrentes em nossa sociedade.

Por isso, agora é a hora de encontrar diferentes soluções para este grande desafio que é a COMUNICAÇÃO.

Autor:
Luciana Fernandes - Percursos Sensoriais
Vlogger - LUDUKE EIR