DOURO, UM PASSEIO MARAVILHOSO

EO 2022 Passeio
  • slider

A paisagem do Douro é simplesmente magnífica. Há passeios lindíssimos do Porto a Barca de Alva, o difícil é escolher. Uma sugestão de fim de semana passa pelo Peso da Régua, com uma subida pelo rio e uma viagem inesquecível no comboio histórico da CP que as crianças vão adorar.

Uma visita à Casa de Mateus, em Vila Real, pode ser o ponto de partida para um fim de semana na zona da Régua, que promete locais lindíssimos e paisagens maravilhosas. Em Mateus, a visita leva-nos a uma das casas mais famosas de Portugal, ou não fosse o rótulo do célebre vinho Mateus Rosé, vendido em todo o mundo. O Palácio foi mandado construir no século XVIII e é um magnífico edifício de traça barroca, atribuído ao famoso arquiteto italiano Nicolau Nasoni e classificado como Monumento Nacional. A visita guiada vale bem a pena, em especial para os mais novos, que descobrem no palácio como vivia uma família rica dos tempos antigos. Descobrem isso na decoração das salas, na mobília dos quartos ou no vestuário da época. A joia da coroa é a biblioteca com 6 mil volumes, onde se destaca a célebre edição ilustrada dos Lusíadas de Luís de Camões de 1816. Os jardins da casa, desenhados à imagem dos de Versailles, merecem uma visita e proporcionam ótimos locais para fotografias. Depois da visita a Mateus, Vila Real apresenta-se como um sítio excelente para um almoço recheado de especialidades desta região.

A sobremesa, quase que sugeria que fosse em Amarante. Basta ver as montras das requintadas pastelarias debruçadas sobre o rio Tâmega para se perceber que a tentação é grande com tantos doces conventuais. Amarante é uma cidade muito bonita, em grande parte pela presença do rio, que proporciona passeios relaxantes de barco, mas também pela beleza arquitetónica. Quem gosta de apreciar a arquitetura antiga, em Amarante, principalmente no centro histórico, há inúmeros exemplos do românico e ainda muitos edifícios da Idade Média para ver.

O Mosteiro de S. Gonçalo, junto à ponte, é uma das imagens mais características da cidade. Foi construído por ordem de D. João III no lugar onde se acredita que São Gonçalo foi sepultado. Vale a pena ver o túmulo de São Vicente no interior e a talha dourada do altar mor.

Amarante é também a terra natal de Amadeo de Sousa Cardoso. Seria imperdoável, por isso, não visitar o museu com o seu nome onde, para além das obras de Amadeo, é possível ver obras de outros grandes pintores portugueses, como António Carneiro, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Nadir Afonso, Vieira da Silva ou José Guimarães. Não é um museu muito grande, mas muito bonito e, sem dúvida, educativo e pedagógico para os mais novos que desde pequeninos devem ser habituados a visitar museus e galerias de arte.

A zona do Douro é muito rica em locais para ficar uma noite junto aos socalcos das vinhas. Não faltam turismos rurais ou quintas onde se pode ficar com as crianças num ambiente de campo, muito próximo das vinhas e dos pomares que pintam a paisagem duriense. A zona do Peso da Régua é uma boa opção, tanto mais que é de lá que saem os barcos para o passeio no Rio. Na manhã seguinte, antes da viagem do barco, mesmo em frente ao cais de embarque, está o Museu do Douro, num bonito edifício que está ligado à Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro que em 1756 criou a primeira zona vinícola regulada do mundo. Um museu muito atrativo para grandes e, especialmente, para os mais pequenos. Muito interativo, claro e atraente no modo como nos dá a conhecer a história do vinho do Porto. Um aperitivo, excelente, para quem depois vai viajar pelo rio acima.

E depois chega a esperada viagem pelo Douro. A viagem de barco do Peso da Régua ao Pinhão é uma delícia. Para os mais novos, uma verdadeira aventura. Não é todos os dias que embarcamos com alguma pompa e circunstância num navio que vai navegar pelas mais bonitas margens do mundo.  O serpentear pelas curvas do Douro enche-nos de uma sensação de beleza e tranquilidade. A viagem tem, ainda, uma atração extra: a passagem por uma das eclusas do rio. Sejam novos ou mais velhos, não é todos os dias que estamos “fechados” entre paredes a ver água a entrar num espaço limitado a fazer de elevador a um navio de várias toneladas. Depois da excitação de passar a eclusa, segue-se o almoço a bordo, outro momento essencialmente para ser vivido em família até que se chega ao Pinhão. Aqui, faz-se a passagem para o comboio. E, de repente, viajamos cem anos na história. É uma emoção quando o apito a vapor anuncia a chegada à estação do comboio histórico da CP, recebido com aplausos pelos passageiros. A viagem ainda não começou, mas a animação é muita: desde o rancho folclórico que segue a bordo, aos funcionários da CP fardados à época, a figura do maquinista ou a operação de reabastecimento do depósito da locomotiva a vapor com água, tudo é motivo de entusiasmo e de surpresa. A viagem segue para o Tua. Depois é o regresso ao Peso da Régua. Na memória de todos, especialmente das crianças, fica a memória de um passeio que dificilmente esquecerão.