UM OÁSIS EM LISBOA

EO 2021 LisboaPatrimónio
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Mal se dá por ele mas não muito longe do cimento e do alcatrão da cidade lá está ele, o Palácio dos Marqueses de Fronteira, em plena mata de Monsanto.

Há mais de 370 anos que um bonito Palácio vive à beira do Parque Florestal de Monsanto. Ainda hoje é habitado, no entanto, para nossa sorte, é possível visitar algumas das salas, a biblioteca e o jardim.

O Palácio é famoso pelos seus azulejos de grande beleza e pelo jardim que o torna num verdadeiro oásis na cidade. Até parece que fugimos de Lisboa e viajamos até aos ambientes do século XVIII. Por um lado, é muito engraçado dizer aos mais pequenos que ainda vivem pessoas no palácio, o que os vai deixar muito mais interessados na visita, depois é sempre excitante saber que a qualquer altura pode aparecer o Marquês de Fronteira, atualmente o 14.º, D. António Mascarenhas.

A visita ao palácio é uma viagem a quartos, corredores e salas com objetos tão simples e informais do quotidiano da família. Há fotografias, muitas, e inúmeras peças de arte. Chamem à atenção, dos mais pequenos, de uma mesa de costura que, dizem, terá sido oferecida à Marquesa de Alorna, sogra do sexto Marquês de Fronteira, por Maria Antonieta, casada com o monarca francês Luís XVI, e que foi decapitada em 1793, durante a Revolução Francesa.

Outra curiosidade é que aquando da inauguração foi servido um faustoso jantar. Ora dizia a tradição da época que louça onde já tivesse manjado o Rei nunca mais utilizada seria. Assim, todo o serviço de loiça chinesa foi partido em centenas de cacos que hoje forram as paredes da chamada Casa de Fresco, onde, presume-se, os fidalgos da casa e os respetivos convidados se refrescavam.

Neste palácio, vale a pena chamar a atenção dos mais novos para os maravilhosos azulejos que, em muitas cenas, retratam batalhas antigas, bem ao gosto dos rapazes. Para as meninas, há os lindíssimos e românticos jardins, também decorados por azulejos, sebes, fontes e inúmeros esconderijos para momentos de tranquilidade e reflexão. Há, ainda, um lago de onde se vê a chamada Galeria dos Reis, onde se destacam os bustos de reis portugueses, desde D. Henrique a D. João VI. Um local bem bonito para acabar uma visita a uma casa única na cidade.