MENINGITE E MENINGOCOCEMIA: OS ADOLESCENTES TAMBÉM DEVEM VACINAR-SE

EO 2019 Vacinação | Autor: José Manuel Aparício, Médico Pediatra
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Doença de progressão rápida, a Meningite Meningocócica e a Meningococemia podem matar em 24 h. As faixas etárias mais jovens (bebés, crianças pequenas, adolescentes e jovens adultos) integram os principais grupos de risco. A vacinação é a melhor forma de prevenção.

O que é a Meningite Meningocócica?
A Meningite Meningocócica é uma infeção das membranas que revestem o cérebro e a espinal medula. Uma das formas mais graves da doença invasiva meningocócica, a Meningite Meningocócica é causada por uma bactéria que coloniza assintomaticamente a nasofaringe de 15 a 20% dos adolescentes e jovens adultos, a Neisseria Meningitidis. Apesar de, na maioria dos casos, não provocar doença, o contágio dá-se através das gotículas das secreções respiratórias ou pela saliva de um portador, mesmo que este não esteja doente.
A Meningococemia é a doença invasiva na sua forma mais grave com envolvimento de múltiplos órgãos levando à falência multi-orgânica.

Quem corre maior risco?
As faixas etárias mais novas correm maior risco de contrair Meningite Meningocócica – bebés, crianças pequenas, adolescentes e jovens adultos estão mais fragilizados, por diferentes razões. No caso dos mais novos, porque o seu sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido. Um pouco mais tarde, a partir dos 10 anos, na adolescência e até no início da idade adulta, surgem hábitos de vida que aumentam a exposição à bactéria, facilitam a sua colonização e a transmissão (ex: frequência de locais sobrelotados, partilha de comida e bebidas, contacto próximo e íntimo entre pares, viagens e deslocações, etc…).

Como progride?
O período de incubação da Meningite Meningocócica pode variar entre os 3 e os 7 dias, sendo a média 3 a 4 dias. A Meningite Meningocócica pode matar entre 24 a 48 horas. Mesmo nos casos em são ministrados todos os cuidados de saúde adequados, apresenta uma taxa de mortalidade de cerca de 10%. Em casos de sobrevivência, pode deixar sequelas graves e permanentes – surdez, défice cognitivo, alterações neurológicas ou amputação de membros são os exemplos mais frequentes.

Como evitar?
Por todos os riscos que acarreta, entre eles a morte, mais do que tratar uma Meningite, devemos apostar na sua prevenção. A imunização é a forma mais eficaz de prevenir uma Meningite e, no caso do Meningococo do grupo C, está incluída no Programa Nacional de Vacinação. A vacinação contra os outros grupos também está recomendada a bebés e crianças, bem como a adolescentes e jovens adultos, pela Sociedade de Infeciologia Pediátrica. Temos vacinas disponíveis para os serogrupos B e para os serogrupos A, C, W e Y, estes para além do B, atualmente a vitimarem crianças e adolescentes por toda a Europa incluindo Espanha.

Quais os sintomas mais comuns?
Os sintomas iniciais de uma Meningite incluem dor de cabeça, perda de apetite, febre, náuseas, dor ao engolir e corrimento nasal. O agravamento da doença dá-se de forma rápida – a febre sobe, aumentam a sensibilidade à luz, o estado confusional e a prostração. A dor de cabeça e os vómitos intensificam-se, a nuca fica rígida e começam a aparecer manchas hemorrágicas na pele. À semelhança do que se passa com outras doenças, estes sintomas não têm de aparecer na totalidade, nem em simultâneo, pelo que devemos estar atentos.

Os adolescentes também devem ser vacinados?
A colonização na adolescência é maior, altura em que poderá já não estar garantida a proteção proporcionada pela vacinação primária. Com base nesta e noutras premissas, a Sociedade de Infeciologia Pediátrica reforçou, recentemente, a recomendação para a vacinação de adolescentes a partir dos 10 anos de idade, quer com a vacina meningocócica do serogrupo B, quer para os serogupos A, C, W e Y. Uma tendência um pouco por toda a Europa, onde já se debate a necessidade de um novo estímulo vacinal na adolescência. Alguns programas de vacinação já contemplam, para esta e outras doenças, o reforço vacinal a partir dos 10 anos.


Artigo desenvolvido por:
Prof. Dr. José Manuel Aparício, médico pediatra