BEBÉS PREMATUROS QUE OUVEM A VOZ DA MÃE DESENVOLVEM-SE MAIS DEPRESSA

EO 2019 Desenvolvimento
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Os recém-nascidos que escutam com regularidade a voz da mãe, um som familiar desde o útero, tendem a dormir melhor. A qualidade de sono leva a que se desenvolvam mais rapidamente, pois estimula o progresso neurológico nas primeiras semanas de vida.

O simples som da voz da mãe consegue melhorar a qualidade do sono de um bebé prematuro. Quem o afirma é a equipa que conduziu um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, país onde cerca de 10% dos recém-nascidos americanos necessita de tratamento numa unidade especial logo após o parto.

“Sabemos que quando um bebé nasce, responde preferencialmente à voz e à língua da mãe, possivelmente porque foi exposto a esses sons ainda no útero. Queríamos explorar a forma como esse som familiar poderia influenciar a qualidade do sono do bebé”, afirmou Renée Shellhaas, neurologista pediátrica e principal autora da pesquisa, citada pela revista Wix, explicando que com um sono melhor, “os recém-nascidos passaram a desenvolver-se mais rapidamente”. “O sono está diretamente ligado ao progresso neurológico da criança, que ocorre sobretudo nas primeiras semanas de vida”, acrescentou.

O estudo acompanhou 50 bebés que nasceram a partir da 33ª semana de gestação sem qualquer problema congénito capaz de interferir nos seus padrões de sono. Os recém-nascidos foram monitorizados durante12 horas. Nas primeiras seis, ouviram gravações das mães a lerem um livro infantil. Na segunda metade do tempo, esses sons foram eliminados.

“Descobrimos que os bebés tinham mais probabilidade de manter o sono quando as gravações das vozes das mães estavam ativas”, disse Renée Shellhaas.

Compreendeu-se também que os bebés nascidos a partir da 35ª semana eram ainda mais influenciados pela voz materna na hora de dormir – acordavam menos e atingiam mais rapidamente o sono REM, fase durante a qual os sonhos ficam mais reais e a atividade cerebral é semelhante à dos momentos em que permanecemos acordados. Refira-se que “é nessa fase que o cérebro regista tudo o que aprendeu e viveu, e que isso é determinante para o desenvolvimento neurológico das crianças” – um recém-nascido passa 80% do total de sono em estado REM.

Já os bebés que nasceram entre a 33ª e a 34ª semana não registavam uma mudança tão evidente dos padrões de sono quando expostos à voz da mãe.