AS MENINAS E A PERTURBAÇÃO DE HIPERATIVIDADE E DÉFICE DE ATENÇÃO

EO 2017 Educação | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
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Continuam a surgir, em contexto clinico, jovens adultas com queixas de ansiedade e depressão, quando o que está na base do seu mal-estar ou problema é uma perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA) nunca antes diagnosticada.

Viveram até aqui verdadeiras tormentas para conseguirem alcançar o que a sociedade espera delas e ultrapassar as metas que elas próprias se colocam.

Continua-se a falar do sobrediagnóstico, e consequente sobremedicação, da perturbação de hiperatividade e défice de atenção, no entanto no que respeita as raparigas com a perturbação não posso estar mais em desacordo!

Este fenómeno acontece porque ainda há um longo caminho a trilhar quanto à clarificação dos sintomas nucleares da perturbação, comumente (e erradamente!) chamada de hiperatividade. É verdade que o excesso de atividade motora e a impulsividade são caraterísticas nucleares da perturbação, mas nem sempre estão presentes, ou melhor, nem sempre estão presentes em todas as fases do desenvolvimento e ainda menos com as mesmas manifestações, frequência ou intensidade.

O sintoma nuclear da perturbação é a desatenção, o défice de atenção, sem dúvida difícil de avaliar, medir, quantificar e ainda mais de classificar quanto à sua origem, pois este sintoma está presente em muitas outras perturbações. Seria mais fácil “medir” a agitação motora, ou até a impulsividade, mas estas medidas não são suficientes para fazer o diagnóstico de PHDA.

Ora então, temos, por um lado, meninas em idades pré-escolar, escolar e adolescentes que têm muita dificuldade em ser bem sucedidas, principalmente, na escola, com classificações escolares medianas, auto-estimas baixas, inseguras, muito frequentemente tímidas e também ansiosas. No limite apresentam sintomatologia depressiva. Não há queixas de comportamento, socialmente fazem um grande esforço para se adaptarem às situações e contextos, o que as torna esforçadas, dedicadas e delicadas. Enfim, uns “doces de meninas”! Estes “docinhos” são os mais difíceis de identificar como tendo um problema, neste caso uma PHDA!

Por outro lado, temos as desatentas, mas que apresentam também problemas de comportamento, são agitadas e impulsivas, com atitudes disruptivas nos diferentes contextos, impossível passarem despercebidas e facilmente apelidadas de “mal-educadas”. Estes casos serão os mais facilmente identificados, apesar de lhes colocarem rótulos errados, frequentemente vão parar a uma consulta médica ou psicológica, e consequentemente diagnosticadas e devidamente acompanhadas.

Resta-nos a preocupação com os “docinhos” perdidos que sofrem em silêncio, sem que ninguém se aperceba. É urgente estar alerta para as crianças que passam facilmente despercebidas, é imperativo intervir e promover o sucesso e bem-estar destas miúdas, para que, mais tarde, não desenvolvam outro tipo de perturbações comumente associadas à PHDA.


Conteúdo desenvolvido por: Matilde Passanha - Psicóloga Clínica/Responsável pelo Serviço de Orientação Escolar e Profissional



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