EU NÃO SEI BRINCAR – E NEM SEMPRE QUERO BRINCAR!!

EO 2020 Educação
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Brincar, brincar, brincar, brincar é a palavra de ordem do momento no que diz respeito à criança, ao seu desenvolvimento e à sua aprendizagem. E, sabem que mais? A verdade é que é mesmo a melhor ferramenta para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional da criança.

Também é verdade que nem todos nós, adultos, (pais, terapeutas, tios/as, etc) queremos ou sabemos brincar com a criança. E sabem que mais? Nem todos nós nascemos com aptidão para brincar e interagir com crianças, nem todos temos a mesma motivação para isso ou a criatividade! Alguns de nós temos também apenas o conceito errado do que é brincar. Mas sabem que mais novamente? O primeiro passo para superar esta questão é olhar a questão com tranquilidade e perceber que o brincar pode ser feito de muitas formas diferentes e que pode ser um ponto de equilíbrio entre o que a criança precisa e no que o adulto se sente mais verdadeiro e confortável.

Para te ajudar a ver o brincar de outra forma caso decidas que é algo em que queres dar mais de ti, deixo-te aqui umas dicas:

1. Brincar não é só sentar e brincar às casinhas ou às corridas de carros: Brincar é uma atividade natural, espontânea em que todos os participantes se devem sentir bem. Logo brincar pode ser andar pela casa a pregar partidas, cócegas, pode ser construir uma tenda com lençóis e almofadas na sala e pode ser cantar até! Com isto quero dizer que não precisas brincar ao lado da criança, só ao que ela gosta, mas podes aproveitar a vossa própria rotina e os recursos da vossa casa para o fazer! Brincar de algo que tu também gostas é muito melhor do que brincar com a criança só por obrigação! E acredita que ao mostrares o tipo de brincadeiras que gostas mais, a criança vai aprender a perceber em que tipo de brincadeiras pode contar mais contigo porque vai sentir o teu entusiasmo!

2. Não entres na brincadeira da criança, dando palpites ou sugestões – isto cansa a criança e o adulto também! A brincadeira é da criança, é a sua oportunidade de traduzir em ações a forma como está a ver o mundo, aquilo que está a sentir e aquilo que está a precisar seja pelo faz de conta, seja pelo desenho ou pela construção de legos. Nas situações em que a criança demonstra não estar a conseguir algo, relembra-lhe que se precisar de ajuda, estás ali, não imponhas a tua ajuda. Assim, mostras que acreditas que pode superar o desafio e que, simultaneamente, pode sempre contar contigo se assim o decidir fazer.

3. Quando a criança estiver a brincar, vai descrevendo em frases curtas a brincadeira que está a fazer: ‘Que torre alta’ – tem conceitos/noções aqui a serem trabalhados: 1 – torre; 2- alta. Vês? Pelo brincar, muito se aprende.

4. A Mais Importante: Quando disseres que vais brincar, está presente. Guarda o telemóvel, desliga a televisão, arruma o teu livro. Fica verdadeiramente a brincar, nem que combines com a criança e digas ‘Vou brincar contigo até 5 jogadas/13h horas/ 5 construções’. E cumpre o que prometeste. Lembra-te que és modelo para a sua forma de estar na vida, até pelo brincar! Se queres que cumpra o que combina contigo, cumpre o que lhe prometeste também.

Brincar pode ser para todos e pode acontecer de tantas formas giras – para a criança e para ti, adulto!

Beatriz Pereira - Psicomotricista e Educadora Parental

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