BRINCAR OFFLINE

EO 2022 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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A chegada da Covid-19 agravou a dependência de todos perante os ecrãs, mas chegou a altura de mudar as coisas!

O tempo de exposição das crianças (e não só) aos ecrãs tem crescido bastante, tendo tido um aumento exponencial, durante os confinamentos da pandemia, nas alturas das aulas online e do teletrabalho. No entanto, já temos a possibilidade de reverter essa situação, trazendo as crianças para a rua, para o ar livre, ainda por cima agora que se aproxima o Verão, que nos permite usufruir de um sem número de possibilidades de programas com as crianças.

Vamos aproveitar essas oportunidades e incentivar as crianças a brincarem offline, longe dos computadores, tablets e telemóveis. Não quer dizer, que com regras e com tempo limite definido, não possam recorrer às tecnologias e aos ecrãs, mas como em tudo na vida, o importante é o equilíbrio. E evitar ao máximo os ecrãs pode ser o desafio para as famílias com o aproximar da celebração do Dia Internacional do Brincar (28 de Maio).

Sabia que ao incentivar as brincadeiras offline está a proporcionar às suas crianças oportunidades para fomentar a criatividade, a imaginação, a autonomia e a fortalecer os vínculos afetivos?

Para além disso, o alerta dos especialistas para o facto do uso excessivo dos ecrãs estar associado a um desenvolvimento deficitário de capacidades físicas e cognitivas das crianças, podendo contribuir para a obesidade infantil, problemas de sono e de ansiedade, também deve ser motivação, mais do que suficiente, para apostar noutras brincadeiras como forma de entreter as crianças. Não acha?

É certo, que existem programas e aplicações que poderão ter conteúdos educativos para as crianças, mas nem esses conseguem competir com outro tipo de brincadeiras, presenciais, com os pares ou mesmo com a família, na aprendizagem de competências tão importantes como o autocontrolo, a empatia, a resolução de problemas, entre outras habilidades socioemocionais.

É certo também que os ecrãs se tornaram “nos melhores amigos dos pais”, para manter as crianças “sossegadas” em determinadas situações, como por exemplo, em restaurantes, viagens longas, etc. Mas, não haverá alternativas? Claro que sim. Até porque também é importante que as crianças desenvolvam mecanismos de autorregulação e aprendam a lidar com a frustração ou mesmo com o aborrecimento e a impaciência.

Que tal ter sempre à mão, um livro de desafios, adequado à faixa etária das crianças? Ou um livro para colorir? Ou simplesmente um bloco para escrever e/ou desenhar? Ou melhor ainda, aproveitar essas oportunidades para colocarem a conversa em dia com os pais. Abordem temas de interesse comum ou conheçam melhor os interesses dos vossos filhos. Desafiem-nos a contar-vos e a imaginarem, se criassem um jogo novo, como seria, que personagens teria, quais os cenários. Comecem a planear as próximas férias em família ou o programa para o próximo fim-de-semana. Façam uma lista dos sítios que gostariam de visitar.

Então e o que podem as crianças fazer offline?
Levem as vossas crianças até à praia, ao campo, ao parque infantil; explorem a natureza juntos. Façam exercício físico: andem de bicicleta, skate, trotineta ou simplesmente façam uma caminhada e terminem com um piquenique e tempo livre para cada um fazer o que quiser para relaxar.

A maioria das crianças gosta de estar ao ar livre, mesmo que ao início não queira sair de casa porque prefere estar a jogar no tablet, no pc.

Transforme as saídas em pequenas aventuras, em novos desafios ou oportunidades de explorar a natureza, sítios novos e novas possibilidades de brincadeiras que podem ser super divertidas e promotoras de maior interação e harmonia familiar.

Em casa, também há muito que podem fazer sem estar agarrados aos ecrãs, nomeadamente até ajudá-los nas tarefas doméstica de forma divertida. Recriem um “Masterchef” em casa, onde cada um fica responsável por uma tarefa, ou se forem mais velhos, por a confeção de uma receita que todos depois irão degustar e apreciar.

Podem também recriar outros programas em casa, nomeadamente para quem gosta de cantar… que tal um “The Voice Kids”?

Para quem tem interesses mais “científicos”, façam pequenas experiências caseiras que podem ser bastante interessantes e promover aprendizagens de forma divertida.

Dediquem-se à jardinagem e acompanhem o crescimento das vossas “plantações”.

Ao serão, promovam uma maratona dos “velhinhos” jogos de tabuleiro ou um campeonato de jogos de cartas (o UNO, o peixinho, o desconfio, podem ser jogos muito divertidos).

Acima de tudo, o importante é que deixem as crianças brincar, brincar muito e de preferência a maioria do tempo… offline… longe dos ecrãs!

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

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