COVID-19 E AS CRIANÇAS

EO 2020 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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Que informação passar e como ajudá-las a gerir o stress?


Nos últimos meses as informações e notícias acerca do novo Coronavírus chegam diariamente às nossas casas e já fazem parte das nossas conversas, sendo inevitável que as crianças oiçam e se apercebam de que algo se passa: existe uma doença nova que preocupa os adultos e que começam a  surgir novos casos em todo o Mundo.

Todo este contexto pode causar stress nas crianças, havendo algumas assustadas e com medos que, efetivamente, podem ser geridos através da transmissão de informação correta e adequada à faixa etária de cada criança. É preferível ter uma conversa com elas e apresentar-lhes informação cientificamente correta e proveniente de fontes credíveis como a DGS e a OMS, do que deixá-las procurar e partilhar falsa informação que poderá aumentar os níveis de stress.

Por isso mesmo, são muitas as escolas que já realizaram sessões de esclarecimento com médicos e outros profissionais de saúde para responder a todas as dúvidas dos alunos e alertá-los e sensibilizá-los para as medidas preventivas que podem e devem tomar, nomeadamente ao nível das etiquetas de higiene (colocar um lenço ou o braço à frente da boca sempre que se tosse; assoar-se e deitar fora o lenço, lavar as mãos com frequência). O assunto deve ser tratado com seriedade e não alarmismo.

Segundo recomendações da OMS, devem-se apresentar às crianças factos sobre o que se passou; explicar-se o que se passa agora e dar-lhes informações claras sobre como podem reduzir o seu risco de infeção pelo Covid19 com palavras adaptadas à sua idade, garantindo que as compreendem.

Se a criança fizer mais perguntas e de uma forma tranquilizadora, a OMS recomenda ainda que se ofereça à criança informação sobre o que pode acontecer, por exemplo se um familiar e/ou a própria criança se começarem a sentir mal, explicando-lhe que terão de ir para o hospital, durante algum tempo, para que possam receber ajuda dos médicos, para que voltem a sentir-se melhor.

Não se esqueça que as crianças podem reagir ao stress criado por situações como esta, de diversas formas, por exemplo, podem pedir mais colo; mostrarem-se menos autónomas, mais ansiosas, agitadas ou zangadas; isolarem-se ou terem comportamentos regressivos (ex.: voltarem a fazer xixi na cama).

Nestes casos, é importante que os pais sejam compreensivos e apoiantes, estando recetivos para escutar as preocupações e medos das crianças e dando-lhes uma dose extra de atenção e carinho. São em períodos mais difíceis como este que é importante darmos às nossas crianças mais amor, tempo e atenção. Os pais devem escutar calmamente os seus filhos e tentar tranquilizá-los, criando, se possível, oportunidades para relaxarem e brincarem.

Caso não seja suficiente, procurem ajuda profissional.


Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +


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