TOSSES

EO 2017 Saúde | Fonte: Clínica Gerações
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Os esclarecimentos do professor de pediatria Paulo Oom, no que respeita a este sintoma muito frequente nos meses mais frios.

A tosse é um sintoma muito frequente que incomoda a criança e preocupa os seus pais. Agora que vão chegar os meses de outono  e inverno  vai ser o principal motivo pelo qual os pais vão levar os seus filhos ao Pediatra. Como pai também já tive a minha conta de noites mal dormidas e escrevi este texto a pensar em todos aqueles que, como eu, já acordaram ao som da tosse no quarto ao lado.

A tosse é uma defesa natural do aparelho respiratório e serve para expulsar as secreções ou pequenas partículas que se acumulam nas vias aéreas. Assim, a tosse impede que as secreções se acumulem nas vias aéreas e possam causar obstrução e dificuldade em respirar ou mesmo infeção .

A principal causa de tosse nas crianças são as infeções  virais das vias aéreas superiores (como as constipações). Nestas situações há uma inflamação das vias respiratórias com aumento da produção de secreções e a tosse é um mecanismo fundamental para a sua remoção mantendo as vias aéreas desobstruídas para que a criança possa respirar normalmente.

Por vezes a tosse é uma tosse rouca, irritativa, que surge por ataques e a que muitas vezes se chama tosse “de cão”. A sua causa é uma infeção  viral da laringe (uma laringite), geralmente sem consequências. É uma situação que pode ser muito incómoda para a criança e provocar alguma ansiedade nos pais porque a criança tem “ataques” durante os quais não consegue parar de tossir.

Se o seu filho tem tosse, nem sempre isso deve ser motivo de preocupação. Há tosse e tosse. O seu aparecimento é sempre desagradável, mas algumas vezes apenas mostra que a criança se está a defender das agressões a que está sujeita e que o seu organismo funciona como deve ser.

De uma forma geral, estas são as situações em que não se deve preocupar:

• a tosse começou gradualmente
• a tosse mantém-se há alguns dias mas já está a melhorar
• a criança não tem aspeto  doente
• brinca como habitualmente
• dorme bem à noite
• não tem febre ou vómitos
• mantém o apetite
• não tem dificuldade em respirar

O essencial é oferecer à criança líquidos para beber (água ou sumos). É muito importante que a criança esteja bem hidratada para que as secreções fiquem fluidas e possam mais facilmente ser removidas pela tosse. Se existem secreções no nariz ou uma obstrução nasal pode ser necessário colocar soro fisiológico no nariz. É também indispensável ajudar a criança a remover as secreções que estão a provocar a tosse. Para isso deve ser aspirado o nariz com frequência e, nos casos mais graves, fazer cinesiterapia respiratória.

Apesar de todos estes cuidados, em algumas situações os pais podem suspeitar que algo de mais grave se pode estar a passar e a criança necessitar de ser observada por um médico. Isto acontece quando:

• a tosse começou de repente, com a criança a engasgar-se quando levou alguma
coisa à boca
• a criança tem um aspeto  doente
• não quer brincar
• não consegue dormir à noite
• tem febre alta
• tem vómitos persistentes
• recusa alimentar-se
• tem dificuldade em respirar ou pieira
• se a tosse se agrava de dia para dia ou se se mantém por mais de 10 dias

Existe muito a noção de que se a criança tosse é porque precisa de um xarope. Os xaropes para a tosse podem ser de três tipos: antitússicos, expetorantes  ou misturas dos dois. Consoante o tipo de tosse podem ser usados diferentes medicamentos. Um antitússico vai fazer com que a criança deixe de ter a capacidade de tossir. Só em situações de tosse muito seca (sem expetoração ) é que devem ser administrados. É importante que nunca se esqueça que muitas vezes a tosse é um mecanismo protetor  e serve para a criança desobstruir as vias respiratórias. Sem a tosse as secreções podem acumular-se nas vias respiratórias e a criança ficar com dificuldade respiratória ou mesmo uma infeção . Por isso uma criança com muitas secreções não deve tomar um xarope antitússico. Pela mesma razão, este tipo de xaropes não tem qualquer interesse se a criança está apenas constipada. Os xaropes expetorantes , pelo contrário, servem para tornar as secreções mais líquidas para que possam ser mais facilmente eliminadas com a tosse. Como é lógico, só devem ser usados na criança com tosse e expetoração  espessa, difícil de expulsar, e não têm qualquer interesse se a tosse é seca. Estes xaropes nunca devem ser dados a crianças pequenas, principalmente se com menos de um ano. Os xaropes com misturas de um antitússico e um expetorante  não têm interesse para as crianças. Deve ser sempre o médico a decidir se a criança necessita de um xarope para a tosse e qual o xarope mais indicado em cada situação.


Conteúdo desenvolvido por Professor de Pediatria Paulo Oom. Clínica Gerações

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