STOP PIOLHOS!

EO 2020 Saúde a 4 Mãos | Opinião | Fonte: Farmácias Portuguesas
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Os piolhos não escolhem cabeças e são quase sempre denunciados pela comichão. É importante que se faça uma observação regular de forma a que, logo que sejam detetados, se possa atuar de imediato com os tratamentos adequados.

POR HUGO RODRIGUES
Médico Pediatra

Os piolhos são um problema que surge todos os anos, muitas vezes mais do que uma vez por ano. Não se sabe muito bem o motivo, mas há crianças que são mais afetadas do que outras, o que pode tornar-se uma verdadeira dor de cabeça para as famílias.

O que são os piolhos?
Os piolhos são pequenos insetos que se prendem aos cabelos e pelos e que, ao contrário do que grande parte das pessoas pensa, não voam nem saltam. Deslocam-se apenas “andando”, pelo que exigem contacto direto para que ocorra a sua transmissão. E este é um aspeto muito importante, porque só se transmitem através do contacto cabeça-cabeça ou então através do contacto cabeça-objeto contaminado.

O que fazer?
Sempre que surgem piolhos numa escola, há dois conselhos imprescindíveis:

1. Observar bem e de forma regular a cabeça das crianças. Só se consegue detetar esta situação se se observar bem a cabeça. Nesses casos, deve-se estar atento à presença dos próprios piolhos ou então das lêndeas, que são os seus ovos. Estas são pequenas “bolinhas” brancas, que estão agarradas aos cabelos e que se localizam mais frequentemente nas regiões da nuca e atrás das orelhas. Outro sintoma habitual é a comichão, principalmente nessas zonas também.

2. Cumprir o tratamento de forma escrupulosa. Este aspeto é imprescindível! Existem diversos tratamentos diferentes, uns em loção e outros em champô, pelo que se tem de ler e cumprir de forma atenta as indicações do produto que se vai utilizar. Além disso, deve-se também passar um pente de piolhos (muito fino) em todos os cabelos, de forma a descolar as lêndeas e aumentar a eficácia do tratamento. Também as roupas devem ser lavadas cuidadosamente, particularmente aquelas que contactam com os cabelos (chapéus, lençóis, fronhas, toalhas e casacos ou camisolas com gola)

Existe relação com falta de higiene?
Não! Esse é um mito muito comum, mas não corresponde à verdade. Os piolhos podem surgir em qualquer pessoa e não estão relacionados com falta de higiene. No entanto, é fundamental cumprir bem os tratamentos, tal como explicado anteriormente, de forma a garantir uma maior eficácia.

POR ISABEL JACINTO
Farmacêutica

Este ano, o regresso à rotina e às aulas pode parecer um pouco diferente. A máscara e o gel desinfetante são as principais novidades, a par das medidas de distanciamento social. Importa reforçar, junto das crianças, a importância de manterem uma distância de dois metros umas das outras, incentivando brincadeiras como, por exemplo, brincar às escondidas. 

No entanto e, embora esta seja uma nova realidade, algumas situações habituais e típicas desta altura do ano podem, ainda assim, surgir– é o caso dos piolhos!

É quase sempre a comichão que denuncia a presença de piolhos. Mas não basta haver comichão, é importante que se observe se há piolhos vivos e lêndeas, para confirmar a infestação.

Como? 
• Lave o cabelo e aplique amaciador, para facilitar o desprendimento do piolho ou da lêndea.
• Desembarace o cabelo ainda húmido, dividindo-o em secções.
• Penteie cada madeixa de cabelo, da raiz às pontas, com um pente próprio que pode ser adquirido na farmácia. 
• A cada passagem, limpe o pente a um lenço de papel branco e analise-o: os piolhos soltam-se e vêem-se facilmente, as lêndeas são mais “resistentes” e tendem a fixar-se aos cabelos.

Caso se confirme a presença de piolhos e lêndeas, é essencial recorrer a um tratamento apropriado. Os tratamentos mais eficazes consistem na aplicação de antiparasitários, sob a forma de, por exemplo, champô, creme, spray, gel ou loção. 

A maioria destes produtos não requer receita médica, mas o aconselhamento farmacêutico é essencial para garantir o uso correto e assegurar a eficácia do tratamento. Há que respeitar as instruções de uso, nomeadamente o intervalo de tempo entre aplicações:
• Estes produtos são aplicados no cabelo e couro cabeludo, sendo importante não esquecer a zona atrás das orelhas e a nuca;
• Posteriormente, deve passar-se um pente fino no cabelo para remover os piolhos e as lêndeas;
• Quando é indicada uma segunda aplicação, esta deve ser feita sete a 10 dias depois.

Os antiparasitários usam-se apenas em caso de infestação: não os use em elementos da família cuja infestação não foi confirmada ou para prevenir reinfestações: o uso incorreto pode levar à redução de eficácia de alguns antiparasitários, por desenvolvimento de resistências nos piolhos.

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