O QUE É A DERMITE ATÓPICA?

EO 2020 Saúde | Fonte: Mustela
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A dermite atópica é um dos motivos de consulta pediátrica mais frequentes, podendo surgir a partir dos dois meses, afetando a qualidade de vida do bebé ou criança e da sua família.

A dermite atópica é um problema que afeta a barreira cutânea e que torna a pele extremamente vulnerável e permeável às agressões externas. Os alergenos penetram com maior facilidade e o sistema imunitário está anormalmente estimulado, desencadeando uma reação inflamatória. A dermite atópica manifesta-se, então, sob a forma de períodos de crise extrema de eczema mais ou menos frequentes, com o aparecimento de manchas vermelhas localizadas, que alternam com períodos de remissão.

De acordo com o dermatologista Vasco Sousa Coutinho, a dermite atópica é a doença de pele mais comum durante a infância, afetando em média uma em cada cinco crianças. De salientar que cerca de 95% dos casos aparece antes dos dois anos, e que os primeiros sintomas surgem, em muitos bebés, logo a partir dos três meses. Trata-se, em todos os casos, de reações exageradas a estímulos externos múltiplos (frio, pós, pólenes, etc.) a que normalmente a população em geral não reage. Esta reação exagerada é devida a alterações da imunidade de causa genética. Estas alterações podem ser maiores ou menores e podem ser potenciadas pelos estímulos externos, determinando a gravidade das manifestações clínicas, as quais surgem em períodos de crise, alternados com períodos em que há remissão dos sintomas.

O principal sintoma é o prurido, mas existem outros, como a vermelhidão e a descamação da pele, mais intensas em áreas específicas, que variam com a idade. Nos lactentes atinge a face e as superfícies externas dos membros; a partir dos dois anos localiza-se, sobretudo, nas pregas e dobra dos cotovelos, atrás dos joelhos, pescoço, etc. No adulto aparece mais frequentemente nas mãos e no rosto, sobretudo no contorno dos olhos, e não há grande diferença entre sexos.

Os sintomas são, normalmente, agravados durante o inverno, principalmente com o tempo frio e seco. A pele torna-se mais seca com a falta de humidade, agravada pelos aquecimentos, sendo que a roupa é, tradicionalmente, mais áspera, o que representa mais uma agressão para a pele.

Vasco Sousa Coutinha refere ainda que tal como outras doenças de causa genética, a dermite atópica não tem cura, mas tem tratamento. O principal, mesmo fora das crises, é não agredir a pele e, diariamente, hidratá-la bem. Por isso, recomenda um banho rápido com água pouco quente e com um produto de higiene suave, por exemplo, um óleo de banho ou um creme lavante, que são opções mais nutritivas para a pele. Aplicar, em seguida, um creme hidratante no rosto e no corpo. Para maior eficácia e segurança é ainda recomendado que se utilizem gamas adaptadas à pele atópica. Por estar em contacto directo com a pele, a roupa é também muito importante. Como tal, deve usar-se roupa de algodão e de cor clara. Durante as crises devem manter-se os cuidados anteriores, mas o tratamento das lesões da pele é realizado com um corticóide tópico, de acordo com a prescrição.

Se as crises forem frequentes, usam-se outros imunomodeladores para evitar os efeitos secundários dos corticóides. Em simultâneo, e para controlar o prurido, os pacientes tomam habitualmente anti-histamínicos orais, em geral, em doses mais elevadas do que nas alergias respiratórias. Para casos mais graves, pode ser necessária terapêutica sistémica, como sejam os corticóides orais, e, eventualmente, outros imunossupressores, radiação ultravioleta, entre outros.

Com o apoio da Mustela.