RESILIÊNCIA: O “SEGREDO” DA SAÚDE PSICOLÓGICA?

EO 2020 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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Esta pandemia trouxe-nos tempos difíceis e de exceção que, já se arrastam a alguns meses, o que começa a comprometer o nosso equilíbrio emocional e bem-estar psicológico.

São muitos os desafios que se nos impõem. E o importante aqui é: como é que cada um de nós os encara e como é que os gere. Já parou para pensar como tem lidado com esses desafios? Sente-se vítima disto tudo ou sobrevivente? Vai à luta ou desiste? Sente que tem vindo a perder a esperança?

Saiba que Resiliência é algo que, neste momento que atravessamos, pode ser o “segredo” para conseguir manter a Saúde Psicológica.

E a boa notícia é, que é algo que pode ser aprendido. Então, é importante perceber como podemos ajudar as pessoas (crianças, jovens, adultos, seniores) a serem mais resilientes. Para a psicologia, resiliência é a capacidade do indivíduo lidar com os problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão das adversidades, mantendo o equilíbrio psicológico e conseguindo encontrar estratégias para as enfrentar e superar.

Claro que a resiliência não é nenhuma solução mágica que nos impede de sofrer, sentir tristes ou desesperançados, mas é um importante fator protetor que nos ajuda a adaptar a tempos difíceis e a procurar formas de lidar com as mudanças, as incertezas e adversidades que, fazem e sempre fizeram, de uma forma ou de outra, parte da nossa vida.

E a pergunta que se impõe é: o que cada um pode fazer para aprender a ser mais resiliente?

1- Comece pelo Autocuidado: alimente-se bem e de forma saudável. Pratique exercício físico. Cuide de si e ao fazê-lo estará a cuidar da sua Saúde Psicológica, pois lembre-se que é tão importante como a Saúde Física.
2- Esteja atento às suas necessidades: identifique e expresse as suas emoções com quem lhe é mais próximo e significativo.
3- Estabeleça Relações Positivas: mesmo com as restrições de convívio impostas pela pandemia, há sempre formas de manter os seus relacionamentos e contactos com amigos e família e é essencial que o faça.
4- Aceite que as mudanças fazem parte da sua vida, bem como as incertezas. Encontre as suas estratégias para lidar com isso e para sentir alguma tranquilidade e perceção de controlo, embora tendo sempre presente que nunca conseguimos controlar tudo. Na realidade, se pensar racionalmente, nunca sabemos o que nos reserva o dia de amanhã: podem ser coisas boas, coisas menos boas ou um bocadinho das duas. Mas planeamos, temos expectativas, rotinas que acabam por nos dar segurança e até, muitas vezes, uma falsa perceção de controlo, pois a incerteza está sempre lá.
5- Tente sempre encontrar significados nas coisas que lhe acontecem, mesmo nas adversidades: isso muitas vezes é uma forma facilitadora da resiliência, uma vez que nos ajuda a superar as dificuldades.
6- Aprenda com a sua própria experiência: relembre outros tempos difíceis e recorde que estratégias utilizou para os ultrapassar, em detrimento de se ver como vítima e ficar focado na injustiça da vida.
7 - Se preciso for, não hesite em pedir ajuda. Ser resiliente, não é ser mais forte ou não precisar de ajuda, é precisamente também ter a capacidade de assumir que sozinho não vou conseguir, quando é chegado o momento de recorrer a um profissional para o ajudar a "encontrar o caminho certo” e recuperar a sua Saúde Psicológica.

Também é importante ajudar as nossas crianças e jovens a construírem a sua resiliência, visto que tem inúmeros benefícios para a sua vida. E como o podemos fazer?

1 – Lembre-se sempre que é um modelo para os seus filhos. Mais uma razão para investir no desenvolvimento da sua resiliência, pois automaticamente isso será um bom exemplo para eles seguirem.
2- Promova a autonomia dos seus filhos: a capacidade de resolução de problemas, de encontrar soluções, pois isso, ajudará também a desenvolver autoconfiança.
3- Ensine-os a lidar com as mudanças e a aceitar determinados acontecimentos de vida, para que os encarem como desafios a superar e não como problemas inultrapassáveis.
4- Não os desvie de todas as dificuldades do percurso, ensine-lhes a enfrentá-las e a não desistir.
5 – Permita que identifiquem e expressem as suas emoções, sejam elas quais forem.
6 – Estabeleça regras e rotinas sempre a par com relações de afeto e confiança que lhes proporcionarão tranquilidade, segurança e ajudarão a estabelecer vínculos afetivos facilitadores da resiliência.

Resumindo, esta construção da resiliência é um processo, muitas vezes de tentativa e erro, mas acima de tudo de fortalecimento e confiança nas suas próprias capacidades de superação face às adversidades, no qual, vale mesmo a pena investir.

Não se esqueça, a Resiliência pode ser, realmente, um dos “segredos” para a manutenção da nossa Saúde Psicológica!!!

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

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Fonte: vídeo da OPP "A Resiliência é um super-poder?"