NUNCA É CEDO DE MAIS PARA SE INTERVIR NUMA PERTURBAÇÃO DE APRENDIZAGEM ESPECÍFICA

EO 2021 Educação | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
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As Perturbações de Aprendizagem Específicas podem, numa fase inicial, ter um impacto negativo no desenvolvimento de uma criança.

Qualquer aprendizagem é difícil, e se pensarmos no início da aquisição da leitura, da escrita e da matemática podemos perceber que é um dos primeiros grandes desafios que uma criança enfrenta. É nesta altura que a criança se insere num grupo e começam a surgir as primeiras comparações com os pares.

Uma Perturbação de Aprendizagem Específica pode, numa primeira fase, dificultar o sentimento de pertença e agudizar esta desigualdade. Neste sentido, considera-se importante identificar as dificuldades, de forma precoce, para que possam ser monitorizadas e trabalhadas ao longo do tempo e não constituam um obstáculo ao percurso académico. Os “clicks” não ocorrem por magia, mas derivam de um trabalho constante.

Este trabalho passa por assumir que existe uma dificuldade, que algo não está bem e que requer a nossa atenção. Pais, professores e terapeutas devem estar atentos aos primeiros sinais. As crianças desejam ser bem-sucedidas e quando isso não se verifica, não é porque não querem, mas porque não conseguem. Por outro lado, podemos pensar que se atuarmos cedo de mais, estamos a maximizar e a reforçar a diferença. Ainda assim, se a criança tiver um ligeiro atraso nas aquisições iniciais da leitura, da escrita ou da matemática não se sentirá sozinha e não terá de desbravar esse caminho de forma independente e assustadora.

Reconhecer a dificuldade é um processo essencial para a mudança. Agir de forma natural e construtiva é fundamental para se ultrapassar inseguranças, medos e dúvidas. É através de um trabalho diário que a criança conquista os seus sucessos e se motiva no processo de aprendizagem. Esperar que isto seja diferente, é contribuir para a edificação de um muro de desigualdade com um impacto negativo na autoimagem e na aquisição da aprendizagem.

A dislexia, a disortografia ou a discalculia não estão associadas ao funcionamento cognitivo, à componente emocional ou às práticas pedagógicas inconsistentes, mas sim a um diagnóstico que afeta processos neurológicos e que não estão dependentes da motivação ou da falta dela. A consciência fonológica, a nomeação rápida, a memória verbal imediata, a precisão na leitura e na escrita, a fluência e a compreensão leitora, o cálculo mental, a memorização de conceitos matemáticos e a resolução de problemas estão comprometidos e têm de ser trabalhados de forma específica.

Autor:
Andreia Cunha, Psicóloga Clínica no Núcleo de Dificuldades de Aprendizagem Específicas no Pin – em todas as fases da vida