NOVO CONFINAMENTO… E AGORA?

EO 2021 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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Começou 2021 e com ele trouxe Esperança numa vida para além da covid-19. A vacina e o início da vacinação fizeram renascer sonhos e as expetativas começaram por ser altas. Talvez demasiado altas!

É que a vacina e o início da vacinação não são, infelizmente, a solução mágica, qual conto de fadas, que nos permita viver “livres” da pandemia. Ou pelo menos, não a curto prazo, como todos gostaríamos.

Mas não há que desanimar, a vacina será parte da solução e uma parte, segundo os especialistas, bastante importante. A outra parte, e não menos importante, somos todos nós e os comportamentos que temos diariamente.

E esta é a mensagem que também devemos passar às nossas crianças: cada um de nós pode ser “um super-herói” nesta pandemia. Basta que, pelo menos, cumpra a sua parte. Este é o nosso “super-poder”: cumprir as medidas de proteção individual e o distanciamento social adequados a cada situação e circunstância.  Este poderá ser o mote para explicar um novo confinamento e um novo fecho das escolas aos mais pequenos, caso venham a acontecer, e que é cada vez mais inevitável.

Não quero aqui discutir as inúmeras consequências sociais, económicas e psicológicas que este novo confinamento trará, mas sim deixar algumas dicas de como o enfrentar, principalmente para as famílias com crianças.

Cada família é uma realidade, mas o importante é que cada uma encontre as suas estratégias e/ou reutilize aquelas a que recorreu no primeiro confinamento e que funcionaram. A vantagem que todos temos agora, é que já não será uma novidade. Já passámos por isto.

Por muito má que tenha sido a experiência passada, transmita às crianças que é mais “uma luta”, mais um desafio, mais uma aventura, que em conjunto e com o conhecimento e aprendizagens que tiveram do anterior confinamento, irão conseguir ultrapassar.

Foque nos aspetos positivos, naquilo que correu bem. Tente melhorar o que não foi tão bom, e que esteja ao vosso alcance fazer. Oiça as sugestões dos mais pequenos, muitas vezes, eles têm soluções que nos podem surpreender.

Fortaleça os laços afetivos; valorize os momentos de brincadeira, de criatividade e imaginação para entreter e encontrar “substitutos” das nossas atividades e rotinas habituais, em detrimento de se entristecerem com aquilo que não podem fazer.

Ajude os mais pequenos a encontrarem as suas “forças”, as suas estratégias de coping para lidar com momentos menos bons como este que atravessamos. Ao fazê-lo está a promover a resiliência dos seus filhos, e isso é algo muito valioso no seu desenvolvimento pessoal. Aproveite estes tempos mais difíceis para promover a autonomia dos seus filhos, incentivando-os a resolverem os seus problemas, a encontrarem soluções e alternativas face às novas circunstâncias. Talvez seja também uma oportunidade de aprenderem a lidar com as mudanças e a aceitarem determinados acontecimentos de vida, para que os encarem como desafios a superar e não como problemas inultrapassáveis.

Não se esqueça de estar atento à parte emocional: expressem e partilhem as vossas emoções e dê-lhes espaço para fazer o mesmo. E mais uma vez, fortaleça as relações de afeto e confiança que, juntamente com as regras e novas rotinas, ajudarão a estabelecer vínculos afetivos facilitadores da resiliência.

Estes serão alguns dos “segredos” para manutenção da Saúde Psicológica neste novo confinamento.

E lembre-se, se há um novo confinamento é hora de investir no fortalecimento e confiança das suas próprias capacidades de superação face às adversidades.

Viva o dia-a-dia sempre com o foco na “luz ao fundo do túnel”!

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

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