NOVEMBRO: O MÊS DA PREMATURIDADE

EO 2020 Educação | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
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Em novembro, assinala-se o Dia Mundial da Prematuridade. Para quem viveu ou vive de perto a realidade de uma neonatologia, conhece a importância desta data.

É tempo de sensibilizar, informar, dar a conhecer à sociedade os riscos de um parto prematuro. Não se trata apenas de ter um bebé mais pequeno ou mais frágil. Trata-se de uma luta pela sobrevivência do bebé, muitas vezes prolongada, que implica cuidados médicos e de enfermagem especializados, ao mesmo tempo que uma família sofre um impacto avassalador numa experiência que deixa frequentemente marcas emocionais.

Com o avanço da medicina, aumenta o número de extremos prematuros (com idade gestacional inferior a 28 semanas) que sobrevivem. Felizmente, Portugal tem vindo a apresentar resultados extraordinários nos cuidados neonatais, mas muito existe ainda a fazer. Para além dos bebés que estão nos cuidados neonatais, há os que tiveram alta e continuam a necessitar de apoio especializado, tanto médico como terapêutico, no sentido de atenuar eventuais sequelas no desenvolvimento. Os riscos de perturbações do desenvolvimento em crianças prematuras são acrescidos.

Ainda assim, e neste mês de novembro, importa destacar as histórias de sucesso e de superação. Das equipas de profissionais que se dedicam todos os dias, das famílias que que guardam para sempre esta vivência, e muito especialmente de cada uma destas crianças que ultrapassam os seus maiores obstáculos desde o primeiro dia de vida.

Falar de prematuridade é falar de cada uma destas histórias, que marcam famílias e que muitas vezes alteram percursos de desenvolvimento. Assim sendo, neste mês da prematuridade, aqui fica um dos testemunhos na voz de mãe:

“O que poderia ser maior e melhor que sermos um só? O que poderia trazer o lado de fora para nós? Ocorriam-me algumas coisas. Todas sensoriais: ver-te (os teus olhos), cheirar-te, tocar-te, beijar-te, ouvir-te. Tudo isso me parecia uma troca justa para deixar de te ter dentro de mim, na maravilhosa experiência que era a gravidez.

Mas quando saíste de mim, perdi-te. Foi esta a vivência. De profunda perda. De profunda dor. Porque nada do que eu aceitei como troca me foi dado. Das tuas 24 semanas sobrou apenas o vazio no meu corpo. A maca levou-me para o último quarto do corredor. Passei pelos outros quartos com as mães e os seus bebés. No meu havia um berço vazio. Como eu.

Quando no dia seguinte me levantei e me levaram para te conhecer, havia no meu lugar uma incubadora. Uma caixa e muitas máquinas e fios que faziam o trabalho que o meu corpo não conseguiu fazer (a culpa em cada minuto daqueles dias). Quando te conheci pude apenas espreitar entre as gotas do vapor que a temperatura daquela caixa libertava. Não vi os teus olhos, estavam fechados. Não te peguei, não me deixaram. Não te cheirei. Não te dei beijos. Não te ouvi, tinhas um ventilador que te tirava a voz. Fiquei de pé em frente aquela incubadora, a tentar reconhecer-te, a apresentar-me. Não te reconheci. Não me reconheceste de certeza. A linguagem dos nossos corpos, assim distantes, ficou muda. Como dois estranhos. Mas se tu eras meu filho e eu a tua mãe... Era aquele o dia em que nos conhecíamos? Era abril... não me recordo do tempo lá fora, nem das horas. Mas foi o dia em que me apresentei na esperança que a memória existisse já em ti. Falei-te pela janela da incubadora, toquei-te com um dedo. “Olá Pedro. Sou a mãe... estou à tua espera.” E assim esperei. Desde o dia em que nos (re)conhecemos, até ao dia em que nos voltamos a abraçar.”

Conteúdo desenvolvido por: Carla Almeida - Técnica de Educação Especial e Reabilitação



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