MIÚDOS ESQUISITOS COM A COMIDA PODEM SER INTOLERANTES

EO 2018 Alimentação
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Milhões de crianças rotuladas como “esquisitinhas” podem, afinal, ter alguma intolerância alimentar à comida que rejeitam. A conclusão é de Gill Hart, bioquímica numa empresa de testes de intolerância alimentar, que afirmou ao Daily Mail que “os pais não devem presumir automaticamente que os filhos são esquisitos quando se negam a comer alguns alimentos”.

Gill defende que esta rejeição pode ser a forma de a criança expressar essa intolerância, sobretudo quando ainda não consegue explicar-se verbalmente.

Cerca de uma em cada cinco crianças é classificada como esquisita, por se recusar a experimentar alimentos considerados saudáveis, como vegetais e frutas. Hart diz que é importante que os pais percebam que esse comportamento pode, por vezes, ser uma reação biológica a intolerâncias alimentares não diagnosticadas.

“Uma criança pode perder o apetite porque não é capaz de explicar aos pais que está com dores de barriga. E se elas e queixar, é difícil para os pais perceberem se isso foi provocado pela comida”. Além disso, prossegue a especialista, “muitas vezes a criança apelida de dores de barriga problemas intestinais”.

As intolerâncias alimentares são diferentes das alergias, que afetam o sistema imunológico e causam reações quase instantâneas.

Por seu turno, as intolerâncias – nomeadamente contra a lactose - podem levar até 72 horas a manifestar-se, tornando muito difícil identificar o alimento causador.

Dados com uma década da Allergy UK estimavam que 45% dos britânicos poderiam ser afetados por pelo menos uma intolerância alimentar.

Os sintomas incluem dor de barriga, inchaço, vento, diarreia, erupções cutâneas e até comichão.

Gill Hart diz que as crianças podem tornar-se avessas à comida devido a uma intolerância alimentar. E explicou que uma vez identificado o alimento problemático, é preciso eliminá-lo de imediato. “Quando isso acontece, a criança 'exigente' pode desenvolver um apetite saudável”.

O site do NHS Choices diz que os pais podem resolver o problema assegurando que a família faça as refeições conjunto, dando pequenas porções de alimentos à criança e estuando o seu comportamento. É ainda aconselhável que não forcem as crianças a comer o que recusam e sejam capazes de a elogiar quando ela pelo menos tenta provar algo diferente.

Uma nova pesquisa da Universidade de Bristol publicada em Julho passado veio atenuar as preocupações dos pais com este assunto, ao garantir que as crianças “esquisitas” com a comida não têm de se tornar jovens subnutridos ou com excesso de peso. Os investigadores concluíram que a maioria não só evolui bem, como, muitas vezes, é mais saudável do que os pais, que comiam tudo e abundantemente quando eram pequenos.