MITOS DA PHDA

EO 2017 Saúde | Fonte: Cadin
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Conheça mais sobre a tão falada perturbação de hiperatividade e défice de atenção.

Embora seja tão comentada, ainda existem muitos mitos associados.

Os indivíduos com PHDA enfrentam desafios diariamente e com frequência sofrem o estigma do aluno mal-educado, desobediente, obstinado etc… quando na verdade tudo é feito com esforço acrescido.

Por outro lado, também há muitas crianças a ser apelidadas de hiperativas quando não deverá ser essa a denominação.

E aquelas que por serem apenas desatentas mas não agitadas passam despercebidas e só se detetam as dificuldades mais à frente no percurso académico? E os pais, serão todos eles maus disciplinadores? Desmistifique aqui algumas destas questões.

Ele não tem PHDA, é preguiçoso e mal-educado!
Não! A PHDA é uma perturbação real que afeta cerca de 4% da população e que traz consequências ao nível do desempenho escolar, familiar e social. Ao contrário do que se pensa, as crianças com PHDA não conseguem controlar o seu comportamento. Não fazem as coisas porque não saibam mas sim porque não conseguem! São crianças que têm muita dificuldade em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental prolongado e por isso são muitas vezes apelidadas de preguiçosas. A verdade é que muitas vezes se esforçam mais do que os outros.

Todos os hiperativos têm PHDA!
Não! Todas as crianças precisam de se mexer para conhecer e explorar o mundo. A agitação motora faz parte do desenvolvimento. Existem crianças que são mais mexidas do que outras mas isso não implica a presença duma perturbação. Para que tenham uma PHDA as dificuldades devem afetar o seu desenvolvimento pessoal, escolar e social e devem ter impacto significativo nos diferentes contextos de vida.

Tem PHDA porque os pais não sabem educar!
Não! Quando uma criança com PHDA não cumpre o que lhe é pedido ou faz birras, não é porque os pais não imponham regras e limites. Isto acontece porque uma criança com PHDA não consegue antecipar as consequências do seu comportamento. O problema advem de dificuldades na autorregulação do comportamento e não da falta de disciplina em casa.

Só aparece em rapazes
Não! As raparigas têm tanta probabilidade de ter uma PHDA quanto os rapazes. A diferença está na manifestação dos sintomas. Normalmente os rapazes são mais agitados que as raparigas e como tal, os sintomas de agitação motora, aquando duma PHDA, são mais marcados e evidentes. Por seu turno, as raparigas apresentam mais sintomas de desatenção, sintomas que passam mais facilmente despercebidos porque “não perturbam a aula”.

Isto passa com a idade!
Não! A PHDA é uma perturbação crónica que evolui ao longo da vida. Cerca de 30% a 50% dos casos permanece até à idade adulta e quando não dignosticado atempadamente pode evoluir para outro tipo de dificuldades. Há uma tendência para os sintomas de agitação motora diminuirem mas as dificuldades de autorregulação, controlo da atenção e impulsividade persistem ou intensificam-se.

Fica horas a jogar playstation, não tem PHDA
Não! Muitas crianças e jovens com PHDA ficam muito tempo a jogar consola, computador… de facto, é mais fácil estar atento a atividades em que o estímulo está em constante mudança e em que há constante reforço das nossas ações (vidas, pontos…). Crianças com PHDA têm mais dificuldade, como qualquer outro inidvíduo, em manter a atenção em tarefas monótonas e menos motivantes.

Consegue ouvir, perceber tudo o que se passa à sua volta, não tem PHDA
Não! Crianças com PHDA estão atentos a tudo mas não se concentram em nada! Até a mosca veem passar mas não conseguem selecionar o estímulo mais importante (focar a atenção) para conseguir realizar a tarefa que têm em mãos.

Ao darmos apoio na escola a crianças com PHDA estamos a ser injustos com os restantes alunos
Não! Quem tem uma PHDA tem um défice ao nível das competências para estar atento, ou seja, não tem a estrutura necessária para conseguir estar concentrado nas tarefas. Ao fazermos adaptações em sala de aula estamos a dar ferramentas para ultrapassar estas dificuldades. Não estamos a retirar os obstáculos do percurso mas sim a dar estratégias para os ultrapassar. Mais ainda, estas estratégias podem facilmente ser implementadas com todos os alunos e assim estimular a aprendizagem de todos.


Conteúdo desenvolvido por,
Carolina Faro Viana
Psicóloga Clínica, CADIn