É URGENTE ENSINAR AS CRIANÇAS A LIDAR COM AS EMOÇÕES

EO 2022 Opinião | Cátia Lopo & Sara Almeida, Psicólogas Clínicas
  • slider

Com a agitação da rotina, muitas vezes, ensinar competências emocionais às crianças passa para segundo plano. As dúvidas colocam-se no caminho e o assunto acaba por não ser tratado. Mas, há três pequenos passos que pode aplicar, diariamente, para ajudar. Conheça-os!

As nossas emoções estão presentes no nosso dia a dia a todo o instante e funcionam como sinais que nos dão indicações para encontrar o nosso equilíbrio em tempo real. É, por isso, muito importante aprender a ouvir as nossas emoções, para que consigamos atingir os nossos objetivos, o nosso bem-estar e a nossa felicidade. E esta aprendizagem é sempre mais simples se for feita durante a infância.

Mas, por estranho que pareça - tendo em conta a sua importância - frequentemente, desvalorizamos a necessidade de ensinar as crianças a lidar com as suas emoções e deixamos essa componente tão importante da vida das crianças para segundo plano.

Ora, quando não ensinamos as crianças a ouvir as suas emoções e a lidar com elas em tempo real, criamos espaço ao adoecer psicológico, que nas crianças se manifesta, por exemplo, sob a forma de agitação, de dificuldades escolares ou de dificuldades em lidar com a frustração.

Desta forma, da mesma maneira que ensinamos as competências académicas às crianças, é urgente ensinar-lhes competências emocionais, para que se tornem emocionalmente inteligentes.

Para o fazermos devemos, essencialmente, começar por:

1- Ser um modelo para as crianças e partilhar com elas tudo aquilo que sentimos - ao conversarmos com as crianças sobre tudo aquilo que sentimos, estabelecemos uma ponte de cumplicidade e abrirmos espaço para, aos poucos, a própria criança começar a partilhar aquilo que está a vivenciar de forma mais livre e espontânea.

2 - Dar espaço para que as crianças identifiquem e partilhem tudo aquilo que sentem - mesmo que de forma menos clara e concreta é essencial que as crianças aprendam a expressar tudo aquilo que sentem, seja pela palavra, pelo desenho, ou através de outras atividades. Não nos esqueçamos que é extremamente perigoso reprimirmos as emoções, como por exemplo, rejeitar ou dizer a uma criança para não sentir raiva ou medo, pois, quando o fazemos, ensinamos a criança a ignorar o seu mal-estar e desconforto. A realidade é que, não é porque a ignoramos que a emoção irá desaparecer, assim, o essencial é, num primeiro momento, facilitar a capacidade da criança identificar e expressar tudo aquilo que sente.

3 - Ensinar às crianças que não há emoções negativas - é importante ensinar às crianças que não há emoções positivas e negativas. Todas as emoções cumprem uma função, todas nos transmitem alguma informação que é importante para restabelecermos o equilíbrio do nosso organismo. Se para uma criança ficar claro que ter medo ou estar triste não é, necessariamente mau, mais facilmente será capaz de expressar e de gerir tudo aquilo que sente.

Estes são os primeiros três passos que nos permitem criar um caminho propício ao desenvolvimento da inteligência emocional nas crianças. Sendo que, fica claro que uma criança emocionalmente inteligente será sempre uma criança mais capaz de enfrentar desafios, mais confiante, mais tolerante à frustração e apta a criar relacionamentos saudáveis e positivos.

No fundo, sempre que uma criança é emocionalmente inteligente está um passo à frente em todas as suas conquistas, sendo - inequivocamente - a inteligência emocional uma das principais alavancas ao seu sucesso pessoal, social e académico.

Cátia Lopo & Sara Almeida, Psicólogas Clínicas

Mais informações: Escola do Sentir