CRIANÇAS… ENTRE O SER E O TER

EO 2021 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
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No mês em que se celebra o Dia Mundial da Criança, é inevitável falar sobre estes fascinantes seres humanos em crescimento, físico, psicológico e emocional, em desenvolvimento de competências, de personalidade, de formas de estar na vida, de formas de olhar e encarar a vida. As crianças são vistas, tendencialmente, como fontes de enorme alegria, energia, espontaneidade, inocência, sinceridade.

As crianças nascem sem preconceitos. Crescem numa família (as que têm essa sorte) que as ajuda a desenvolver, que lhes ensina o certo e o errado, que lhes transmite valores, que as “molda” e ajuda a inserir na sociedade e a aceitar e ser aceites pelo mundo que as rodeia.

As crianças nascem “um diamante em bruto” pronto a ser “lapidado”, claro que com as suas próprias características individuais, mas que serão francamente influenciadas, moldadas pela família. E o que quero chamar à atenção com isso, é que no mês em que se celebra o Dia Mundial da Criança os pais reflitam sobre a enorme responsabilidade que têm como educadores dos seus filhos. Que exemplos passam para eles? Que valores? Que preconceitos? Que atitude perante a vida? Que esperanças?

E se este “peso da responsabilidade”, por vezes assusta, intimida, culpabiliza os pais pelos erros que, como qualquer ser humano, cometem ao longo dessa aventura desafiante que é a parentalidade; outras vezes, deve permitir reflexão acerca deste “enorme poder” que têm perante as crianças e da maravilhosa oportunidade de contribuir para a construção da felicidade dos seus filhos.

E, ao contrário do que às vezes, os adultos pensam, não é difícil contribuir para a alegria das crianças. Não precisam de brinquedos caros, de festas muito espetaculares... a não ser, que as tenhamos habituado a isso. Esse hábito, por vezes, faz com que pareça que nunca se contentam com nada, pois as expectativas estão sempre altíssimas e nada as satisfaz. Mas será mesmo assim?

Será que não as podemos e/ou devemos, desde tenra idade, habituar a valorizar as pequenas coisas, a estar agradecidas com as coisas mais simples do dia a dia? O abraço dos pais; os beijinhos; o tempo de brincadeira em conjunto; as gargalhadas em família; o passeio ao parque ou a ida à praia ao final da tarde; o gelado ou o chocolate, oferecidos num dia especial; a ajuda aos outros; o elogio feito ao jantar; o “gosto muito de ti” depois da história contada ao deitar?


Às vezes, é na simplicidade das coisas que se encontra a felicidade, que se aprende a ser grato, a valorizar os “pequenos-nadas” que são tudo, que se aprende a ser em vez de ter!

As crianças precisam “apenas” de ter as suas necessidades básicas asseguradas, de atenção e afeto por parte da família e quem as rodeia e de regras e limites para se sentirem seguras e crescerem saudáveis.

Acredito que crianças felizes precisam mais de ser do que ter. Ser amadas, ser respeitadas, ser compreendidas, ser ouvidas, ser acarinhadas, ser repreendidas, ser ajudadas e orientadas pelos adultos.

Um outro aspeto importante, cada criança tem os seus sonhos, os seus interesses e as suas motivações e, a maior parte das vezes, não coincidem com os dos pais, ou com as expectativas que os pais criaram acerca delas, ou com os sonhos que os pais não realizaram em criança e agora gostariam de realizar através dos filhos. Nem sempre este é um processo fácil e/ou consciente para os pais. Mas, neste Dia Mundial da Criança deixo o desafio: que crianças foram? Que crianças estão a ajudar a crescer e de que forma? O que querem que as vossas crianças tenham? Mas acima de tudo… o que querem que elas sejam?

Deixem o sonho e a fantasia permanecer na vida das crianças, mas o sonho delas…e acima de tudo não se esqueçam da vossa “missão” nesta aprendizagem da criança rumo à valorização do ser em detrimento do ter!

Sejam Felizes!!!

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

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