CONSULTAR OU ESPERAR?

EO 2017 Educação | Fonte: Fale Connosco
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Já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos? É frequente surgirem dúvidas, a questão que se coloca é então: consultar ou esperar?

Será que o meu filho já devia…? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem? Consultar pode apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil.

O desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança; dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos de desenvolvimento diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas? É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.

O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso. Após o nascimento, regra geral, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia. Caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.

Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificultá-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto do desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter. A “plasticidade do sistema nervoso”, que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova, diminuí com o crescimento. Por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação. Alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias (uma surdez não corrigida pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde).

O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos. Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade, “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”. Este é um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos.

Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente. Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações na percetibilidade ou fluência da fala estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que os pais e educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação. Dificuldades em realizar tarefas do dia-a-dia (vestir/despir, apertar os botões do casaco, atar os atacadores), correr, saltar, usar alguns dos utensílios na sala de aula, ou até dificuldades na concentração, memorização e realização dos trabalhos mais estruturados devem ser tidas em conta e alertar os pais.

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem. Crianças que não se conseguem concentrar, que apresentem dificuldades na leitura e escrita ou com sentimentos negativos perante estas atividades devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis. Nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, como tal, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves, podendo pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Em suma, é normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.


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