ANSIEDADE NA GRAVIDEZ

EO 2020 Online
  • slider

Está grávida e receia que a ansiedade tome conta de si? Não se preocupe não está só! Várias questões inundam a futura mamã no decorrer da gravidez: Como será o bebé? Será que está tudo bem? Serei boa mãe? E se acontecer alguma coisa no parto? - são apenas alguns exemplos. Questionar-se e estar preocupada é normal, tanto para a mãe quanto para o pai, mas a gravidez não deve ser motivo para pânico.

Para a mulher, a gravidez é um dos momentos mais marcantes da sua vida. Desde o momento em que descobre que está grávida planeia ao detalhe todos os seus passos, sonha como será o rosto do bebé, o seu temperamento, as roupas que vai comprar, qual será o seu nome, como irá decorar o seu quarto, como deverá ser a sua alimentação. Além disso, poderá sentir medo de ter comportamentos que ponham em causa o bem-estar do ser que está a desenvolver-se dentro de si, como controlar o ganho de peso, como irá decorrer o parto, a amamentação e, muitas vezes, as dúvidas sobre o papel de mãe no futuro. Estas dúvidas são mais acentuadas, quando é a primeira gravidez em que tudo é novo.

É um novo mundo prestes a ser explorado. A gravidez simboliza amor incondicional e uma forte ligação ao novo ser que se está a desenvolver.  Tudo isto de deve ao facto de que quando a mulher está grávida experiência distintos sentimentos, ao longo da sua gestação ao mesmo tempo que passa por diversas alterações fisiológicas, psíquicas, hormonais e sociais que podem aumentar o risco de sofrimento emocional. Se para algumas mulheres todas estas transformações são encaradas com tranquilidade, marcada por sentimentos de felicidade, satisfação e autorrealização, para outras pode ser um momento gerador de stress e ansiedade.

Pode dizer-se que cada mulher, cada gravidez é vivida de forma distinta. A história pessoal de depressão ou ansiedade, história familiar de perturbações de ansiedade, baixo nível económico, baixa autoestima, gravidez não planeada ou não desejada, bem como a existência de conflitos entre o casal, são apontados como os principais fatores de risco, rede de suporte familiar e social disponíveis. Existem estudos que sugerem que a probabilidade de sofrer ansiedade na gravidez aumenta em caso de comorbidade psiquiátrica, eventos stressantes, desvantagem social, histórico de aborto espontâneo, morte fetal, parto prematuro ou morte neonatal precoce, histórico prévio de doença mental e uma história de tratamento psiquiátrico durante uma gravidez anterior ou em qualquer momento da vida.

A ansiedade pode incrementar com a preocupação com o nascimento de um filho, pois implica uma adaptação a uma nova condição e uma reestruturação na vida da mãe em concreto e o impacto que poderá na relação do casal e no dia a dia.

No entanto não deve confundir nervos com sintomas de ansiedade. Eis alguns exemplos a que deve estar atenta:
Não conseguir relaxar em momento algum;
Sentir-se tensa, com medo e preocupada com frequência;
Ter pensamentos apenas negativos;
Sentir medo exagerado sobre alguma situação em concreto
Não ter controle sobre os próprios pensamentos;
Preocupar-se exageradamente com tudo;
Sentir palpitações;
Suores frios;
Respirar com dificuldade, ficando frequentemente ofegante.

A ansiedade é algo que todos nós experienciamos ao longo das nossas vidas. Sentir medo, tensão ou preocupação é normal atuando como que um motor que nos impele a agir face perigo ou o desconhecido. Na medida certa, este é um sentimento essencial no nosso desenvolvimento. Todavia quando este estado persiste ao longo do tempo interferindo negativamente com a capacidade de desenvolver as atividades do quotidiano e infligindo um sofrimento físico e/ou emocional significativo está-se perante uma perturbação de ansiedade.

Sintomas de ansiedade na gravidez
A gravidez é caracterizada pela presença de níveis de ansiedade particularmente elevados: a expetativa, que está relacionada com o bebé, com o comportamento da grávida e com a sua atitude no decorrer do parto, podendo estas expetativas ser influenciadas por experiências anteriores e pelo seu autoconceito; e a aprendizagem uma vez que não existem esquemas e aprendizagens prévias, baseando-se em modelos de grávidas que lhes são proporcionados no seu quotidiano e por histórias que ouve, na tv, através  de amigos, de familiares, etc. Um dos fatores identificados na literatura como um dos que mais contribui para o aumento da ansiedade ao longo da gestação, é a antecipação da experiência de parto, ou seja, a forma como é concebida esta experiência nomeadamente os seus medos e receios, o tipo de preparação e acompanhamento por parte de profissionais de saúde e familiares, entre outros fatores. Procure reforçar a sua rede de apoios e procure informar-se com profissionais qualificados que poderão ajudar na desmistificação de certos conceitos que a podem acalmar e esclarecer todas as suas dúvidas.

A gravidez é sinónimo de preocupação para a maioria das futuras mães. Há uma nova vida a crescer dentro de si. Cresce a preocupação com o que come, bebe, sente e pensa. Pode sentir-se inquieta e algo ansiosa sobre se o seu bebé é saudável e se está à altura da tarefa da maternidade. Contudo, se a ansiedade na gravidez estiver a tomar conta da sua vida, chegou o momento de encontrar a melhor maneira de lidar com isso.

Os sintomas físicos, podem apresentar-se de diversas formas, que passamos a apresentar:
Perturbação de ansiedade generalizada: De acordo com os especialistas, não é fácil diagnosticar este tipo de perturbação pelo facto de ser normal, durante a gravidez, a mulher sentir-se mais ansiosa e preocupada, não só com a sua saúde como com a do seu bebé. Aconselha-se que o seu diagnóstico num numa avaliação cuidadosa e multidisciplinar.

Ansiedade Social: Os sintomas mais comuns são: nervosismo ou desconforto em situações sociais, normalmente devido ao medo de causar má impressão, ou ser julgado, criticado ou avaliado de forma negativa pelos outros. Existe uma tendência para evitar situações sociais ou enfrentando-as, manifesta elevados níveis de stresse. Durante a gravidez, as preocupações com a alteração da imagem corporal, com a maternidade ou com o julgamento dos outros em face ao desempenho como mãe, podem levar a grávida a evitar o contacto social. Alguns traços da personalidade podem ser um fator de risco (ex: a introversão, timidez ou perfeccionismo estão mais associados a este quadro clínico), outros fatores como ser muito jovem, solteira, ter uma situação económica precária e um nível educacional baixo, parecem precipitar esta estar na origem desta perturbação.

Perturbação Obsessivo-Compulsiva: Caracterizada por obsessões recorrentes (como pensamentos e imagens intrusivos, indesejados e incontroláveis) e comportamentos ou rituais repetidos de forma compulsiva. Neste caso, as obsessões podem ser pensamentos ou imagens mentais relacionadas com o bebé e podem manifestar-se pela preocupação com o seu bem-estar. Há que ter em conta na avaliação, o historial de aborto espontâneo ou de complicações gestacionais e história familiar de Perturbação Obsessivo-Compulsiva, pois são considerados como os principais fatores de risco para o aparecimento deste quadro clínico durante a gravidez.

Estratégias para ajudar a minimizar a ansiedade na futura mamã:
Partilhe as suas preocupações com as pessoas que lhe são mais próximas e com os especialistas que acompanham a gravidez. Isto poderá contribuir na diminuição da ansiedade na gravidez. Só o facto de verbalizar as suas preocupações pode fazer com que desapareçam ou ajudá-la a encontrar soluções em conjunto.

A ansiedade das mães e o tratamento adequado
A ansiedade extrema e prologada traz diversos problemas tanto à saúde física, como à psicológica. Isso porque o transtorno de ansiedade na gestação aumenta drasticamente o risco para depressão pós-parto e stresse pós-traumático, entre outras doenças.

Como controlar a ansiedade? A ansiedade durante a gravidez ou quando se aproxima o parto podem despoletar níveis mais elevados de ansiedade. Seguem algumas dicas que poderão ajudar a equilibrar os níveis de ansiedade.

Pratique exercício físico: essa é uma das formas mais potentes de combater a ansiedade, além de melhorar muito a saúde tanto da mãe como também do bebé;
Procure orientação psicológica: como mencionado anteriormente, a terapia é o tratamento mais indicado para o distúrbio (caso haja efetivamente essa necessidade).
Opte sempre pelo natural: um chá de camomila, por exemplo;
Cuide de sua alimentação: existem alimentos como alface, maçã, ovos, espinafre, mel, entre outros, que são responsáveis pela produção de serotonina, (hormona responsável pela sensação de bem-estar).
Tenha uma boa noite de sono:  Relaxar, tomar um bom banho e se preparar para uma ótima noite de sono contribui para melhorar o humor.
Cuida da sua mente: faça passeios, leia um livro, experimente a meditação, por exemplo.
Procure aconselhar-se com os especialistas: fale abertamente com o seu médico
Pesquisa em fontes fidedignas.

Terapia para ansiedade na gravidez: A terapia é extremamente eficaz para a ansiedade.  Com a ajuda de um psicólogo experiente, é possível compreender a origem do problema através de técnicas capazes de controlar o distúrbio e transformar o pensamento.

A gravidez é uma vivência única e especial para ser desfrutada com tranquilidade, contrariando a ansiedade. Permita-se ser feliz e a aproveitar cada momento.

Psicóloga Joana Tenório - Gabinete Privado
Praceta de Portugal, 63 A 2775-369 Carcavelos Lisboa
Contacto: 938 296 270