AMORES E DESAMORES: TOLERÂNCIA ZERO PARA A VIOLÊNCIA

EO 2021 Opinião | Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica
slider

As relações interpessoais, sejam elas de amizade ou mais românticas, fazem parte do processo normativo de desenvolvimento de qualquer adolescente saudável e de bem com a vida.

No turbilhão das mudanças da adolescência e da inconstância das emoções e sentimentos vão-se construindo relações afetivas… algumas delas para a vida, outras nem por isso… mais fugazes, mas igualmente intensas.

E estes amores e desamores, ou até mesmo os simples laços de amizade são saudáveis que aconteçam e vão contribuindo para a construção da personalidade dos adolescentes. O que pode não ser saudável são algumas dessas relações que se tornam abusivas, ou porque se pautam pelo desequilíbrio dos direitos dos seus elementos ou porque desrespeitam, humilham e fazem sofrer.

E é importante alertar os jovens para a existência destas relações, para que se saibam defender das mesmas.

O primeiro de todos os princípios é que quem ama, quem gosta… respeita, aceita o outro como ele é; não controla abusivamente, respeita limites e privacidade; não maltrata, nem física, nem psicologicamente ou emocionalmente; não humilha e não manipula.

Assustadoramente, alguns estudos demonstraram que há uma certa tolerância dos jovens para alguma violência e agressividade no namoro. Parece que, se tem vindo a assistir à banalização da violência por parte dos jovens, que, por vezes, consideram este fenómeno como um conjunto de atos de amor e ciúme.  É importante fazer algo para mudar esta perceção. Tem que haver tolerância zero para qualquer tipo de violência, agressividade ou mau-trato. Isso não é amor. Isso não é normal.

Claro que nos relacionamentos existem desacordos, existem conflitos, mas estes podem e devem ser resolvidos sem recurso à violência, através da negociação e da procura conjunta de soluções, recusando sempre a violência.

Mas a que sinais devem os jovens estar atentos nos seus relacionamentos? Quando estão numa relação pouco saudável?

- Sempre que se sintam desconfortáveis e que o outro jovem (amigo/a, namorado/a) os faça sentir mal.
- Quando não há respeito pelo espaço pessoal, pela sua privacidade (invasão das redes sociais, telemóvel, etc.).
- Quando há um controlo excessivo de onde está, o que está a fazer e com quem.
- Quando o tentam isolar de outros amigos, falando ou criticando os mesmos.
- Quando decidem o que deve ou não vestir.
- Sempre que são ameaçados e/ou desrespeitados e humilhados.

Por outro lado, também é importante mostrar aos nossos jovens o que é suposto existir num relacionamento saudável, nomeadamente: respeito, confiança, suporte e apoio emocional, segurança, honestidade e lealdade, responsabilidade, liberdade, capacidade para expressão de sentimentos. Até pode haver ciúme (é natural que exista), desde que não seja o pretexto para controlar, agredir, humilhar ou magoar e assustar o outro.

Estas questões da violência, do abuso e da agressividade são algo que não deve ser relativizado, ou desvalorizado, pois são questões da sociedade e que podem ter repercussões para a vida toda.

Que todos os amores, que se tornam em desamores ajudem os nossos jovens a crescer saudavelmente, sempre com respeito pelo próximo e tendo em mente que há limites que ninguém pode ultrapassar… pois “mais vale só que mal-acompanhado”.

Sónia Gaudêncio, Psicóloga Clínica e Diretora da ESTIMA +

Mais informações: Email | Facebook | Linkedin


Pub
Pub