A CAMINHADA TRANSFORMACIONAL NA PRÉ-ADOLESCÊNCIA

EO 2021 Adolescência| Fonte: Motto
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Segundo algumas fontes podemos dizer que: “A Pré-adolescência é uma das etapas do desenvolvimento humano, caracterizada por anteceder a entrada na adolescência. E pode trazer mudanças físicas e ansiedade. Nesse período da vida, as crianças passam a ter mais responsabilidades (deveres), ao mesmo tempo em que passam a querer e exigir mais respeito de outras pessoas, particularmente dos adultos. A criança, nesta faixa etária, passa a compreender mais a sociedade, ordens sociais e grupos, o que torna esta fase um momento instável de desenvolvimento psicológico”.

Este é aquele momento em que a influência dos amigos, quando têm gostos em comum, passa a ser de maior importância do que o modelo, as referências dadas pelos próprios pais. É aqui que começam as já conhecidas e esperadas preocupações dos mais novos (e claro, dos pais). Predomina a expetativa que têm em serem aceites por um grupo e, é também nesta fase que determinadas diferenças (face a crianças da mesma idade) se agravam e que assumem maior importância na adolescência. Muitas vezes, e de modo (infelizmente) crescente, os pré-adolescentes sentem-se rejeitados pela sociedade desencadeando problemas psicológicos como por exemplo a depressão, a anorexia ou a ansiedade extrema.

E como é que os pais podem ajudar nesta caminhada transformacional?
Claramente, ter consciência que, na personalidade das crianças, o que será mais fácil de apoiar e influenciar é a questão comportamental. Todos nós temos o nosso comportamento natural (advém da nossa personalidade, genes, ADN, etc.) e o nosso comportamento adaptado (por consequência do meio onde estamos inseridos). Acredito que, entre os 11 e 13 anos, é altura em que os comportamentos adaptados começam a ganhar espaço na personalidade do futuro adolescente. A forma mais fácil de evidenciarmos este tipo de comportamento é quando expomos a mesma situação, a uma criança, mas em contextos diferentes (amigos, família, desconhecidos, etc.). O seu comportamento tende a mudar consoante o grupo que lhe aparece à frente. As crianças pré-adolescentes têm uma grande facilidade de aprendizagem o que ajuda a adaptarem-se ao ambiente em que estão inseridos e, por sua vez percebem que necessitam de adquirir novos comportamentos para sobreviver. Também aqui entra o papel fulcral dos pais/tutor para garantir que as bases principais para aquisição de novos comportamentos são trabalhadas.

Partilho algumas formas simples de apoiar o seu filho:
1. Ajudar a que ele/ela tenha consciência da sua individualidade e que as suas eventuais diferenças são positivas – alimentar a autoestima e autoconfiança
2. Promover ambientes de brincadeira e felicidade produtiva (note-se que não falamos de brincadeira cingida a jogos digitais e internet, mas sim de exterior, desportiva e dividida entre a família e amigos)
3. Adaptar o discurso de acordo com a sua personalidade (introvertido, extrovertido, sensível, sociável, etc.)
4. Dar-lhe voz sem interromper e sem castrar uma opinião diferente (de salientar que aqui que não falamos de permitir atos verbais de insolência ou má educação, mas sim de permitir que se exprimam de acordo com a visão que têm dos assuntos)
5. Dar responsabilidades, mas com regras claras e irredutíveis – desta forma dão a conhecer a grande diferença entre o que pode ser flexível na vida e o que é imperativo; as regras neste caso devem ser exequíveis (pela parte dos pais/tutores) e realmente implementadas
6. Enquadrá-los nas decisões e explicar o porquê e o para quê
7. Explicar e ajudar a definir o seu papel e responsabilidades em casa e na sociedade
8. Reforçar a importância da empatia e compaixão por si e pelos outros
9. Tentar perceber quais são as suas fragilidades e encontrar formas de as minimizar
10. Ter autoconsciência que existe sempre a nossa perceção (pais), a perceção deles (crianças/jovens) e a perceção real
11. Incutir e trabalhar a resiliência visto ser uma das melhores formas para lidar com as adversidades
12. Ajudar na busca do seu propósito
13. E, por último, (e que vale apena desenvolver e apostar) é o foco nos pontos fortes e no talento inato da criança.

Tal Ben-Shahar defende que a felicidade e a performance bem-sucedida dependem da forma como trabalhamos os nossos pontos fortes e aquilo em que somos naturalmente bons a fazer. Um trabalho em que se tem, por exemplo, 15 minutos para executar, terá melhor resultado sendo realizado por alguém que já é bom naquela tarefa, em vez de alguém que está contrariado ou que tem pouca aptidão para a realizar – o mesmo tempo de execução terá rigorosamente resultados diferentes. Logo, o mesmo deve realizar-se tendo em conta os gostos e propósitos dos nossos filhos, quanto mais felizes estiverem a fazer algo, melhor serão a fazê-lo e mais hipóteses terão de ter sucesso, ainda que estejamos num campo de atuação concorrido.

Não duvido que, no final, o que os Pais querem sempre é a felicidade dos seus filhos, e por isso mesmo não podem jamais esquecer que o seu caminho, deve ser escolhido e decidido por eles, e não pelo que nós (pais) almejamos para eles.

Autora: Sofia Tavares, mentora na Motto – Consulting, Mentoring, Reshaping Young Careers