PELA "VIA DOS CORAÇÕES ABERTOS" ATÉ À CAPITAL DO NATAL

EO 2019 Entrevista João Godinho, Capital do Natal
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A partir de 29 de novembro, vai nevar em Oeiras num evento único no País. A preparação já vem longa, tanto quanto cuidadosa e pensada ao pormenor - a contrastar com a dimensão do primeiro Christmas Fun Park da Europa. A Capital do Natal vai encher 72 mil m2 do Passeio Marítimo de Algés com experiências imersivas inesquecíveis. João Godinho, da organização, revelou à Estrelas & Ouriços alguns dos muitos segredos que as famílias com crianças vão descobrir por entre a magia dos vários recantos do parque. Para as escolas, há condições especiais.

Estrelas & Ouriços (EO) – Como surgiu a ideia e onde foi encontrada inspiração para A Capital do Natal?

João Godinho (JG) - A ideia original é do Ivan Dias, que esteve a preparar grandes realizações para o concelho de Oeiras e chegou a esta ideia de criar um evento de Natal com maior ambição, com maior significado, numa lógica de fazer algo inédito em Portugal. Essa foi a primeira abordagem e daí resultou logo uma base fantástica de trabalho.

Construímos uma equipa multidisciplinar, com várias competências vindas de várias indústrias, um imaginário e uma experiência imersiva. Transformamos todo o parque, que era inicialmente apenas isso, numa experiência imersiva e fomos compondo cada uma das suas áreas.

Este é um projeto que já vai na quarta ou quinta geração, porque nós vamos transformando cada parte do parque e da experiência imersiva na ótica do visitante. Fizemos experiências no terreno, de como seria para uma família com dois filhos fazer percursos dentro do parque, para que depois pudéssemos concentrar e organizar da melhor forma a própria experiência para cada perfil de visitante. Fomos a esse detalhe e o parque revela esse cuidado em termos de qualidade e de conforto.

EO - O que torna este evento inédito? Como se conta esta história e onde entra aqui o poder do sonho?

JG - A ideia original foi criar algo inédito, com uma dimensão e ambição nunca vistas em Portugal e nós fomos construir a lógica do storytelling assente nessa base. Na realidade trata-se de uma menina chamada Laura que tem um sonho de ter um natal mágico. Num sonho fala com os Elfos e o que ela julgou ser, meramente, um sonho acabou por se transformar em algo mais.

Os Elfos foram falar com o Pai Natal e o Pai Natal concedeu esse direito, diria assim, à Capital do Natal em Oeiras e pôs a responsabilidade toda nos ombros dos Elfos. E os Elfos vieram falar connosco - foi assim que acabamos por ir parar à Lapónia e falar com o próprio Pai Natal. Fomos depois recrutados pelos Elfos e começamos a mobilizar todas as forças vivas do concelho e não só para conseguirmos concretizar este projeto.

Na realidade, quando abrirmos portas, vamos estar a demonstrar que os sonhos têm este alcance e que quando há vontade se consegue. É isso que vamos fazer, no dia 29: entregar à Laura o seu sonho.

«A ideia original foi criar algo inédito, com uma dimensão e ambição nunca vistas em Portugal»


EO - O Passeio Marítimo de Algés é um local estratégico e de fácil acesso. Essa foi também uma preocupação da organização?

JG - Vamos primeiro à parte logística. Este é um tema muito sensível, porque ao contrário do que é habitual no Passeio Marítimo de Algés em matéria de eventos, para um determinado perfil de público de três a quatro dias, estamos aqui a falar de um evento que tem requisitos muito particulares – com famílias, crianças, escolas e 42 dias de abertura ao público. Portanto, todas as lógicas de transportes e outras logísticas associadas para nós são muito sensíveis.

EO - Como vai decorrer a logística dos transportes, nomeadamente para as escolas?

JG - Criamos um circuito logístico, credenciado que gerimos, mas onde vamos facilitar muito a vinda a determinadas entidades e diria mesmo a transportes oficiais da Capital do Natal. Na realidade, vamos permitir que as escolas consigam colocar todas as suas crianças à porta da própria Capital do Natal. Portanto, assim que o autocarro para, está na posição correta e as crianças só já podem entrar no parque. Isso traduz-se em níveis de segurança e conforto que para nós são a pedra basilar neste projeto.

Surpresas? É disso que vamos falar agora?

EO – Podemos falar de surpresas e de ecologia!

JG - Na expedição que fizemos à Lapónia, ficamos muito sensibilizados com a questão do impacto que o aquecimento global está a ter naquela região. Comentamos entre nós que estamos num país fantástico à beira-mar plantado, mas, comentamos também que o tempo está esquisito, está diferente. E nós estamos distantes do Círculo Polar Ártico, mas quando nos aproximamos detetamos vários sinais que são muito preocupantes. Entre eles: o facto de o nível das águas estar a subir, de os ursos polares já não conseguirem chegar a determinados locais, porque a placa de gelo se partiu, e da neve chegar cada vez mais tarde.

Há consequências muito grandes naquela zona do globo e nós achamos que temos uma missão importante: acreditamos que, como dizemos que o Natal é uma época propícia à transformação de mentalidades, integrarmos no nosso próprio projeto esta preocupação ambiental pode fazer diferença. E isto é algo que queremos manter ao longo deste percurso.

EO – Na prática, como se aplica no parque essa preocupação ambiental durante os 42 dias em que vai estar aberto?

JG - Criamos um conjunto de experiências que têm um objetivo muito claro: criar uma afinidade maior entre os portugueses, para os que não conhece aquela região, aquela fauna, aquela maravilha de ecossistema. Por isso é que dizemos que naquela experiência específica, queremos que cada visitante que entre saia como um Guardião da Neve. Daí a designação do Palácio dos Guardiões da Neve.

Achamos que é um tema muito interessante e as pessoas vão ter a oportunidade de conviver com neve real que objetivamente temos alguma dificuldade em ter contacto, mas mais do que isso, também vamos poder conhecer aquelas fórmulas mágicas dos iglus, de poder estar dentro dos iglus, temos uma série de surpresas que preparamos. Também vamos poder congelar famílias, o que é um fenómeno fantástico (risos).

«Queremos que cada visitante que entre, saia como um Guardião da Neve»


Vamos propiciar um conjunto de experiências que eu acho que vão trazer uma ligação afetiva àquela região. Quando, no nosso dia a dia, pensarmos no que podemos fazer pelo ambiente, terá algum peso. Isso vai estar refletido em muitas outras componentes do próprio parque. Temos algumas surpresas sobre o tema ecológico que estamos a guardar, até porque precisamos muito da ajuda das crianças, porque os Elfos apesar de nos terem recrutado a nós consideram que as crianças são a sua principal força aqui no mundo mais humano.

EO – Como é que as crianças entram na magia deste processo?

JG – As crianças vão ajudar-nos! Há consequências na participação na Capital do Natal, do ponto de vista ecológico. Podem ser coisas que vão ser feitas na Capital do Natal e que se  vão prolongar para além da Capital do Natal e que vão ser obra dos mais novos que nos vão ajudar a nós e aos Elfos a montar essa realidade. Isso é surpresa e queremos guardá-la! Mas sim, a Capital do Natal tem uma missão muito forte desse ponto de vista que pretende assumir e que se vai revelar numa série de aspetos.

De uma forma mais genérica e porque é um terreno que do ponto de vista técnico nos oferece algumas dificuldades - não podemos plantar coisas naquela zona - mas vamos cuidar da nossa pegada ambiental. Tudo o que fazemos tem um contraponto do ponto de vista ambiental, para que a Capital de Natal saia com uma lógica de conteúdo e sem afetar o nosso ambiente de uma forma mais local.

EO – Conte-nos mais sobre as várias perspetivas da passagem do tempo na Capital do Natal

JG – Temos muitas atividades no parque que têm muito que ver com o storytelling. A surpresa inicial é desde logo o facto de que quando entramos deixamos para trás um mundo e entramos logo noutro e isso vai ser feito através de um portal que separa os dois mundos – essa também é uma das razões pelas quais precisamos de passaporte para entrar na Capital do Natal – e o que nos vamos procurar proporcionar às pessoas é uma rutura com o seu dia a dia: o relógio humano não serve de muito na Capital do Natal.

O tempo dos Elfos é um tempo infinito, é um tempo de emoções e sentimentos – não dizemos quantos segundos demorou aquela sensação que nós tivemos, gozamos essa sensação e esse sentimento. E é isso que vamos proporcionar: em cada cantinho desse cenário fantástico que é a Capital do Natal, vamos proporcionar momentos de tempo infinito e isto explicado pelos Elfos é uma parte do segredo que eles vão revelar nesta história que faz parte do Espírito de Natal. E é assim que se alimenta o espírito de Natal, alimentando esse tempo infinito.

«Vamos proporcionar momentos de tempo infinito...»


EO - Com que espírito termina a viagem que tem como lema "Transforma-te"?

JG - No final, vamos depositar esses sentimentos e essas emoções – de alegria, sonho, generosidade e coragem – numa árvore muito especial de Natal, idealizada por Elfos em conjunto com a Young. Essa árvore interage connosco, ou seja, a nossa coleta de cristais vai ter uma reação… que nós esperamos que depois se prolongue até muito para além da existência da Capital do Natal, porque esses valores são para ser vividos ao longo de um ano, de uma vida, e não só na altura do Natal. É nisso que acreditamos e pelo qual trabalhamos com especial dedicação.

Tendo o projeto a duração de 42 dias, queremos que o seu efeito perdure por muito mais tempo. Queremos acreditar – e não é por acaso que a assinatura da Capital do Natal é “Transforma-te” – que é possível pegar nesse espírito e prolongá-lo.

EO – Além das surpresas que estão preparadas para acontecer nos vários recantos do parque, a agenda cultural vai ser muito preenchida, nomeadamente com espetáculos. Como vai ser gerida esta dimensão do evento?

JG – Há de facto um conjunto muito significativo de atividades. A grande vantagem deste projeto que o torna fabuloso, depois de muita análise e partilha, é o facto de com cada entidade com quem contactamos termos tido uma recetividade enorme. Estou a falar de todos os setores: público, privado, escolas, instituições – todos de alguma forma entenderam que queriam participar e contribuir, mesmo com opiniões, e isso levou a que o projeto fosse ganhando cada vez mais qualidade, por ser partilhado com a comunidade que o envolve.

Assim, surgiram diversas ideias e sugestões que vão transformar o parque em algo ainda melhor. Estamos a falar de um espaço cénico e de um espetáculo imersivo, cujo palco é um parque, o que é algo inédito, que obviamente traz grandes desafios, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista operacional, mas estamos preparados e temos fórmulas muito engraçadas!

EO – Como vão ser surpreendidos os visitantes no meio da(s) história(s)?

JG - O que posso dizer às pessoas que nos vão visitar é que, em qualquer momento e em qualquer circunstância podem estar a interagir com a história e a ter uma distração, uma animação que tenha que ver com a história que nós construímos e que é da autoria da Sara Rodi, que é alguém que além de ter uma escrita que se adequa muito ao imaginário que nós preparamos teve sempre uma preocupação muito grande na sua vida com a pedagogia, com o ensino, com a aprendizagem. Para nós, isso foi determinante e resultou numa combinação perfeita.

Toda esta história é escrita. Há momentos que são espontâneos, outros que são guionados, mas todos nós vamos ter essas interações, esses toques com a história, de uma forma muito regular dentro do próprio espaço.

EO – Há dois passatempos a decorrer para os leitores da Estrelas & Ouriços, um para as famílias, outro para as escolas. Quer deixar o apelo à participação?

JG – Tem sido um trabalho progressivo intenso, de interação com as escolas. É impressionante o número de solicitações e de interações que estamos a ter, sempre numa lógica do “Transforma-te”, aliás é este o nosso email, e temo-nos deixado transformar com todos esses inputs e essas sugestões. As escolas têm para nós um espaço particular, temos criadas para elas condições especiais e ainda estamos a trabalhar nisso e a ultimar alguns aspetos para tornar essa experiência mais positiva.

Em todo o caso, temos dias dedicados às escolas, queremos estar preparados para receber bem e dar o apoio necessário. Mas entendemos que deveríamos mobilizar e partilhar a Capital do Natal e emitimos 20 mil passaportes para as escolas, com um passatempo criado em conjunto com a Estrelas & Ouriços e que vai poder levar pelo menos 20 mil crianças das escolas portuguesas à Capital do Natal – o que já é fantástico – mas também poder partilhar toda a história, partilhar todo o conteúdo, de riqueza pedagógica.

«Temos dias dedicados às escolas»


Mas vamos fazer mais – estamos a criar mais iniciativas e condições especiais para as escolas que brevemente vamos anunciar, porque a organização do evento está a decorrer com esta interação com as escolas. Há muitas solicitações específicas – adoraríamos ter a capacidade de agradar a todos à vírgula, mas isso não é possível, mas seguramente vamos ter mais soluções e condições para as escolas nos visitarem.

EO - Este é também um mega encontro para abrir corações, um evento de causas, nomeadamente sociais…

JG – A Capital do Natal tinha de ter obviamente um lado social muito forte porque é uma época de solidariedade, de generosidade, em que estamos todos com os corações mais abertos – aliás, na Capital do Natal temos a “Via dos Corações Abertos”, que é a avenida principal de acesso à Capital do Natal – temos uma campanha que está a decorrer, desde 15 de outubro, em parceria com a Sic Esperança, porque temos um cuidado particular na gestão de dinheiros de causas sociais – esses fluxos vão diretos para quem os vai gerir – a Capital do Natal acaba por prescindir do valor do seu bilhete, um euro, para que esse recurso possa ser canalizado para uma causa social.

A causa social escolhida foi a Casa Amarela, uma academia artística inclusiva para públicos que, de alguma forma, estão mais marginalizados na sociedade portuguesa e que precisa de ser construída. Escolhemos esta causa, em conjunto com as entidades que são nossas parceiras, que vai crescer durante quatro anos connosco. Este um projeto que nós assumimos e que gostávamos que ganhasse a sua plenitude durante os mesmo quatro anos que a Capital do Natal já tem garantidos de existência no Passeio Marítimo de Algés.

EO – Ouvimos dizer que A Capital do Natal vai ter um hino. Os Elfos também entram?!

JG – A Capital do Natal já tem uma música oficial – vamos chamar-lhe assim – há obviamente a questão do hino, que tem duas possibilidades: ou é construído antes ou é construído de forma participada. Apesar da Capital do Natal estar a ser desenhada e construída por profissionais de várias áreas e com uma multiplicidade de competências é para ser construída em conjunto com os seus visitantes e com os Elfos. Esse é o espírito. E por isso acreditamos que se a primeira edição já tem muitas surpresas, as próximas edições inevitavelmente terão de ser melhores, porque vamos ter a participação do público, dos visitantes, dos nossos parceiros a sugerirem e a construírem coisas – pode ser que o hino seja uma delas! (risos)