NATAL DAS TRADIÇÕES

EO 2019 Tradições: Norte, Centro, Sul e Ilhas
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A quadra natalícia é mágica e redireciona para as famílias a força das tradições. Seja na mesa da consoada, na decoração do presépio ou nas animações que percorrem as ruas, damos vida a 12 das muitas tradições bem portuguesas que marcam as regiões de Norte a Sul e Ilhas.

NORTE

Caretos de Trás-os-Montes
Ousilhão e Varge são algumas das localidades da região de Trás-os-Montes que têm os famosos Caretos como tradição de Natal. Aqui, os rapazes vestem as suas misteriosas máscaras e, após a missa, aparecem vestidos de Caretos, espalhando o caos e a desordem pela aldeia, saltando e gritando ao som dos chocalhos e de um gaiteiro acompanhado de um bombo em busca de oferendas. Além destes mascarados, a festa é liderada por dois mordomos não fantasiados, membros mais velhos da comunidade que foram nomeados no ano anterior para o papel.

Em Ousilhão, encontra a Festa de Santo Estevão, que decorre entre os dias 24 e 26 de dezembro, e, como sucede em geral nas festas de inverno transmontanas, conta com a presença dos Caretos, que animam com as suas tropelias e travessuras.

Bananeiro de Braga
Na cidade de Braga, ao final da tarde do dia 24, as celebrações de Natal começam com bananas e vinho moscatel. O ritual, conhecido como “bananeiro”, tem lugar na Rua do Souto, na Casa das Bananas, onde milhares de pessoas a cumprem todos os anos com o intuito de desejar boas festas aos conterrâneos. Em tempos menos afortunados, em termos de alimentos, bananas e licores eram bens de luxo, daí a sua particular importância.

Madeiros
Os famosos Madeiros podem ser vistos em todo o País mas é nas províncias do Norte e do Centro que aparecem com maior frequência. Na noite de 24 de dezembro, durante ou depois da Missa do Galo, uma gigante fogueira é acesa no adro da igreja tornando-se ponto de encontro para reunir amigos e vizinhos. É suposto durar toda a noite de 24 para 25, mas em algumas regiões o fogo dura três a cinco dias e em outras é mantido até ao Dia de Reis.

O mais famoso dos Madeiros é o de Penamacor, que apresenta a fogueira de maior dimensão e que conta com um objetivo ambicioso: ter sempre um Madeiro mais volumoso do que o do ano anterior. A Aldeia Viçosa, na Guarda, segue o mesmo caminho com uma peculiaridade: a do Magusto da Velha, no dia 26 de dezembro.

CENTRO

Roupa-velha
Apesar de se sentir por várias regiões, a tradição de servir a roupa velha no almoço de dia 25 de dezembro, é uma regra seguida à risca em grande parte da Beira Interior e norte do País. Esta iguaria é feita a partir dos restos da consoada da véspera. Para que este prato não falte, muitas vezes, o truque é, na noite anterior, cozinhar bacalhau a mais para haver no dia seguinte.

Bolo Rei
Se há doce que não pode faltar numa mesa de Natal portuguesa é o Bolo Rei. Mas a verdade é que este costume vem de França, do tempo de Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. No entanto, com a Revolução Francesa a iguaria foi proibida por causa do seu nome. Felizmente os pasteleiros continuaram a confecioná-lo sob o nome de gâteau des san-cullottes. Em Portugal, a primeira pastelaria a vender e a confecionar o Bolo Rei foi a Confeitaria Nacional, em Lisboa, por volta do ano de 1870, através duma receita trazida de Paris.

Tradicionalmente, no interior do bolo encontrava-se uma fava seca e um pequeno brinde. A pessoa a quem calhava a fatia de bolo que continha a fava, teria de pagar o bolo rei no ano seguinte e o brinde dava sorte a quem o encontrasse. Atualmente, estes itens estão proibidos pela União Europeia por questões de segurança.

SUL

Auto de Natal
Em Beja, uma das celebrações anuais é a encenação do Auto de Natal. O presépio vivo narra a história do nascimento de Cristo em versos e decorrem desde do Dia de Natal até o Dia de Reis. Antigamente, era representado ao ar livre e chegava às 10 horas de apresentação, característica extraída dos tradicionais teatros populares. Hoje, continua longa, mas é representada no salão paroquial.

Searinhas de Natal
No início de dezembro, no Alentejo e em algumas zonas do Algarve plantam-se sementinhas de trigo em vasos com algodão embebidos em água, que são dedicados ao Menino Jesus. Após germinarem e se transformarem em pequenas searas, as plantas podem ser colocadas junto ao presépio. Segundo a crença local, este costume, posto na mesa da ceia, não deixa que falte pão durante o resto do ano. Após o Dia de Reis, as searinhas devem ser transplantadas para a terra.

Missa do Galo
Apesar de também ser celebrada nas grandes cidades, na maior parte das aldeias a missa do galo é uma tradição inquebrável. Esta missa começa à meia noite e tem transmissão direta do Vaticano, pelo Papa. Em algumas regiões do Algarve, durante a noite, ou depois da consoada, grupos de rapazes reúnem-se no adro da igreja para percorrerem a aldeia a cantar de casa em casa, até à hora da Missa do Galo.

MADEIRA

Tradições madeirenses
Na ilha da Madeira a celebração do Natal inicia-se com as novenas, denominadas Missas do Parto. A primeira acontece a 16 de dezembro e a última a 24. Todas as missas são celebradas ao nascer do dia e, no final, a animação faz-se sentir nos adros das igrejas. A noite de 23 de dezembro é passada no mercado do Funchal. A tradição data de 1940, altura em que a população se dirigia ao mercado para aproveitar a última oportunidade de comprar fruta e vegetais frescos para a consoada.

AÇORES

“O Menino mija?”
Se visitar os Açores, entre 24 de dezembro e 6 de janeiro, e ouvir a expressão “O Menino mija?”, não se admire. Durante estas duas semanas, os açorianos recheiam as suas mesas de licores e doces para amigos e familiares que passam pelas casas da região. Antes de entrarem, e chegados a estas casas, perguntam: "O Menino mija?". Em todas elas, há sempre alguma coisa para partilhar.

TODO O PAÍS

Doces
Apesar de todas as refeições deliciosas servidas nesta quadra, são os doces que batem os recordes da diversidade. No Norte encontra os mexidos, as rabanadas, o leite-creme, a aletria, sopas secas, sonhos e o pão de ló. Nas Beiras, as especialidades são as filhós, fatias-douradas, o arroz doce, o tronco de Natal e a lampreia de ovos. No Ribatejo, destaca-se o pão de ló de Alpiarça, o bolo-podre, as broas e as azevias e, em terras Alentejanas, saboreiam-se as filhós, o arroz-doce, as azevias, os sonhos, entre outros.

Janeiras
Apesar de a noite e o dia de Natal se festejarem a 24 e 25 de dezembro as festas prolongam-se até ao dia 6 de janeiro, Dia de Reis. Durante este mês, em diversas localidades, reúnem-se grupos de amigos, com instrumentos musicais, que vão batendo de porta em porta, entoando cânticos – as janeiras.