A MENINA DO MAR NO PALCO DO LU.CA

EO 2019 LisboaConto Musical7, 14 Dez.: 16.30h, 8, 15 Dez.: 11.30h, 16.30hM/63€ / 7€
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Um dos títulos mais aclamados de Sophia de Mello Breyner Andresen transforma-se em conto musical, com atores e músicos à volta de uma menina que vive no mar, curiosa pela vida em terra, de um menino que vive em terra, curioso pela vida no mar. Para ver no LU.CA a 7, 8, 14 e 15 de dezembro.

Os sons do mar embalam de imediato o espetador para dentro da história e logo o remetem para um universo onde cabem limos, búzios, algas, pedras, água do mar, peixes, vinagreiras, caranguejos, algas, ondas…

Das palavras às expressões, este mundo ganha ainda mais profundidade quando se alcançam florestas de algas, flores que parecem animais e animais que parecem flores, grutas de corais, jardins de anémonas, planícies sem fim de areia branca, muito lisa.

De um cenário idílico brota a bailarina do mar e da grande raia, que tem uma curiosidade infindável pela terra. Para sua felicidade, o destino envia-lhe um menino que se delicia só de estar na sua presença e que lhe leva pequenos vislumbres de um mundo onde nunca esteve – a terra.

Primeiro uma rosa, depois um fósforo e, por último, vinho – a risada é total e a vontade de visitar o planeta (tão distante para si) cada vez maior. Solução: levar a Menina do Mar num balde de praia para que a sua beleza não seque. Será que o plano vai resultar? Haverá poções mágicas envolvidas? Quem passará a viver num plano que não o seu?

O final da história é perfeito e as palavras que se ouvem têm cores, expressões, sabores e evocam memórias – algo a que Sophia de Mello Breyner já habituou os seus leitores.

DA HISTÓRIA DE SOPHIA AO CONTO MUSICAL, COM A ORQUESTRA EM PALCO

“Sendo este um teatro que trabalha para crianças e jovens, ter um neto a dirigir uma partitura de um texto de uma avó é algo que nos enternece a todos”, partilhou Susana Menezes, diretora artística do LU.CA, no final do ensaio de imprensa. Mas "como dar forma em forma em palco a uma música que existia na cabeça do Martim, a partir de um texto da sua avó"?

Os esforços conjugaram-se numa parceria feliz entre o encenador Ricardo Neves-Neves (que fez pequeníssimas alterações ao texto, respeitando-o texto na íntegra), o maestro e neto da autora, Martim Sousa Tavares, e o compositor Edward Ayres d'Abreu.

E se a menina cabe na palma da mão do menino, como apresentá-las em cena? “A ideia de animação com monitores em cena juntamente com os atores acaba por mostra dois lados da mesma personagem – a Menina do Mar”, conta o encenador que junta, em palco, cinco atores e 10 músicos numa orquestra que ocupa um lugar central.

Esta não é apenas mais uma versão da Menina do Mar, entre as muitas que se têm feito, no âmbito das comemorações do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, mas um espetáculo que marca a diferença: porque tem uma orquestra em palco que comunica com os atores, porque tem uma excelente encenação e porque mantém virgem o texto que, tal como ao sua autora, é intemporal.

“A defesa da obra está cumprida, bem como a sua representação e a sua acessibilidade: toda a gente conhece, tem acesso, estuda, lê e gosta;as renovações geracionais vão ocorrendo e a obra continua a ser lida”, defende Martim Sousa Tavares. “Cumprida esta fase, passamos a uma segunda fase – a das obras se incorporarem na comunidade dos artistas. O meu sonho é que haja frases de Sophia que virem ditado popular. Acho que essa apropriação das pessoas faz-se com isto – os artistas indo buscar a obra, mostrando-lhes as vísceras, virando-a ao contrário”, conclui.

Também para escolas.