SABIA QUE AS OSCILAÇÕES DE HUMOR PROTEGEM O BEBÉ? AS MUDANÇAS DAS GRÁVIDAS TRIMESTRE A TRIMESTRE

EO 2018 Saúde e Desenvolvimento
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Uma montanha-russa. É assim que alguns especialistas ilustram a experiência da gravidez em matéria de estados de espírito. Saiba o que faz desestabilizar as emoções das futuras mães ao longo da gestação.

São conhecidas, e deveras comentadas, as oscilações de humor das grávidas. O que talvez não seja óbvio é que isso se deve a um banho de hormonas destinado a proteger a saúde do feto.

Um novo artigo da Parents revela que há uma relação inegável entre os níveis hormonais e os neurotransmissores cerebrais – especialmente a serotonina, substância química que regula o humor. A questão, como sublinha Robin Kopelman, professor assistente do departamento de psiquiatria da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos da América (EUA), é que "certas mulheres são mais sensíveis a essas hormonas mutantes".

O especialista recorda uma série de fatores que contribuem para desestabilizar as emoções, já de periclitantes, das futuras mães. "Imagine como se sente quando está cansada, desconfortável ou ansiosa com a perspetiva de uma grande alteração na sua vida. Acrescente a isso um cocktail de hormonas. Aí tem, é assim que se sentem muitas grávidas: numa uma montanha-russa."

Kopleman ajuda a compreender essas alterações de humor, recorrendo aos fenómenos mais comuns que se verificam nos três trimestres da gravidez. Veja quais são.

Os humores trimestre a trimestre

1. Primeiro trimestre
É o momento em que percebe que a sua vida nunca mais voltará a ser igual. E isso pode ser assustador. Existe uma tomada de consciência da responsabilidade acrescida que aí vem e um medo de não estar à altura dos novos desafios. Em termos hormonais, ocorre a grande revolução. A hormona beta-hCG (gonadotrofina coriónica humana) – que aumenta drasticamente no primeiro trimestre, e diminui e estabiliza perto dos quatro meses -  mantém o embrião firmemente implantado no útero. A progesterona e o estrogênio (que aumentaram ao longo dos nove meses) contribuem para manter a gravidez e provocam uma acumulação de vasos sanguíneos nutritivos. “Esse banho de hormonas, benéfico para o bebé, às vezes é muito difícil para a mãe”, explica Lucy Puryear, diretora da Baylor Psychiatry Clinic, em Waco, no Texas. A hCG pode causar enjoos matinais, e o estrogênio e a progesterona costumam provocar mau humor e lágrimas.

Quando mais complicados forem os primeiros meses de gravidez, mais provável é que as mães não irradiem aquela felicidade que todos esperam.  E isso pode fazê-las sentirem-se culpadas ou pensarem que alguma coisa de errada se passa com elas. “Dê a si mesmo uma folga”, diz Puryear, autora do livro Understanding Your Moods When You're Expecting: Emotions, Mental Health and Happiness -- Before, During, and AfterPregnancy, salientando que “cerca de 99,9% das grávidas experimentaram algumas das mesmas coisas que está a sentir”.

2. Segundo trimestre
Normalmente, nesta fase, a mãe deixa de ter enjoos e sono de forma recorrente. A hCG estabiliza, enquanto a progesterona e o estrogénio sobem, mas lentamente. A mãe costuma sentir os primeiros pontapés do seu bebé, o que é uma fonte de alegria para toda a família.  Os ginecologistas aconselham a gozar esta fase, sem esquecer que alguns sintomas menos simpáticos podem voltar.

É entre a 15.ª e a 17.ª semana que se fazem alguns exames de despiste a doenças congénitas (por exemplo a síndrome de Down). Lembre-se que os resultados podem implicar uma dose acrescida de stress. Outras preocupações que pode surgir nesta altura estão ligadas ao aumento excessivo de peso. Grávidas que engordam de mais são repreendidas pelos médicos – nomeadamente pelo que isso implica na saúde, com o risco da diabetes a ocupar o topo das preocupações – e começam a sentir-se pouco atraentes. “Muitos homens são pouco sensíveis a esta fase”, reclama Lucy Puryear. “Todos os relacionamentos passam por dores de crescimento, e é comum que homens e mulheres processem a gravidez de maneira diferente. Mas não se esqueça de que esta fase é passageira”.

3. Terceiro trimestre
Já falta pouco para ter o seu bebé nos braços. Agora é só ter mais um pouco de paciência. Porém, nesta fase, queixas não faltam à maioria das mães:  dificuldade de locomoção por causa do peso nas pernas, problemas de sono provocados pela dimensão da barriga ou pelo calor, variações de humor (de novo) constantes.

Como se não bastasse, aproxima-se a hora do parto e que atire a primeira pedra a grávida que não tem medo dele.  De salientar que, no último mês de gravidez, os níveis de estrogênio e progesterona são os mais elevados. “É um momento em que tem de cuidar de si sem estar preocupada com o que a família e os outros dizem. Se estiver cansada, deite-se, talvez não consiga dormir muito, mas um sono intermitentemente é melhor do que nada”, aconselha Lucy Puryear.