PRAIA: TODO O CUIDADO É POUCO

EO 2019 Saúde a 4 Mãos | Opinião | Fonte: Farmácias Portuguesas
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Vem aí a época das férias e as muitas horas passadas ao ar livre. Que maravilha. Mas sobretudo com as crianças todo o cuidado é pouco. O médico Hugo Rodrigues e a farmacêutica Isabel Jacinto passam em revista as precauções essenciais que todos temos de respeitar.

POR HUGO RODRIGUES
Médico Pediatra

A praia é um local fantástico, muito saudável, mas que acarreta alguns riscos. Isto, porque as radiações solares na praia têm um comportamento muito errático. Mesmo à sombra as radiações atingem quem lá está, pelo que dificilmente se consegue estar protegido.

Por este motivo, deve existir algum cuidado em levar bebés à praia. Não existe propriamente um consenso em relação a este assunto, mas é consensual que antes dos seis meses de idade isso não deve acontecer. Há, inclusivamente, algumas sociedades científicas que recomendam a ida à praia apenas depois do ano de idade.

Partindo do princípio de que o bebé já pode ir à praia, há alguns conselhos a ter em atenção:

• Evitar as horas de maior radiação. O período do dia mais perigoso é entre as 11h e as 17h. Nunca leve um bebé ou criança pequena neste intervalo.

• Escolher um protetor solar adequado. Até aos dois anos de idade, as crianças devem usar um protetor solar que não seja absorvido pela pele (com filtros minerais ou orgânicos de alto peso molecular). São os mais inócuos para a pele e adequados para crianças pequenas. A partir dessa idade já pode ser utilizado um protetor químico, sendo que o fator de proteção deve ser sempre 50+.

• Usar roupa como proteção. Deve-se tentar minimizar as áreas expostas através do uso de t-shirt e calções, por exemplo. Pode-se utilizar roupa com protecção anti-UV, que também é uma boa ajuda.

• Usar chapéu e óculos de sol. O chapéu deve ter abas, para proteger as orelhas e pescoço. Quanto aos óculos de sol, nem sempre são muito bem tolerados pelas crianças, mas devem ser utilizados, sempre que possível.  Importante é assegurar óculos com lentes protetoras contra a radiação ultra-violeta. Não chega as lentes serem escuras.

• Beber muita água. A perda de líquidos quando há exposição solar aumenta bastante, pelo que é importante a reposição. Os bebés não têm capacidade nem autonomia para o fazerem sozinhos. Deve insistir em oferecer água para beberem.

POR ISABEL JACINTO
Farmacêutica

A pele das crianças é menos espessa, mais frágil e mais sensível do que a dos adultos. Além disso, os seus mecanismos de defesa contra o sol são imaturos, o que torna ainda mais importante a utilização de protetor solar! Escolher um protetor solar nem sempre é uma tarefa fácil, sobretudo quando se trata da pele dos mais pequeninos. O seu farmacêutico pode ajudá-lo, mas saiba o que deve ter em atenção.

• Fator de Proteção Solar – FPS (SPF, na sigla inglesa). O protetor deve apresentar um fator de proteção solar muito elevado (SPF 50+), para diminuir o risco de queimadura solar. E, embora o FPS seja referente apenas à proteção contra a radiação UVB, os protetores devem conter proteção UVB e UVA.

• Tipo de protetor solar. Essencialmente, há dois tipos de protetores solares. Os protetores com filtros físicos/minerais (com ingredientes como o dióxido de titânio e o óxido de zinco) formam uma película espessa de coloração esbranquiçada sobre a pele, refletindo a radiação solar, e são os mais adequados para bebés, crianças pequenas e pessoas com pele intolerante/sensível ao sol. Os protetores com filtros químicos, ao contrário dos primeiros, exercem a sua proteção através da absorção
da radiação solar.

• Tipo de pele. As crianças com pele e cabelo claros, sardas ou sinais, são mais propensas a queimaduras solares, pois têm menos melanina (substância que confere pigmentação à pele, e que age como um protetor natural contra os raios UV). Nestes casos, os cuidados devem ser redobrados: opte sempre por um protetor físico.

• Outras características. As peles sensíveis podem reagir a certos ingredientes, pelo que se aconselha um protetor físico e hipoalergénico.

• Existem ainda zonas específicas, como os lábios, que têm de ser protegidas. Use protetor labial com SPF.

Apesar de todas estas particularidades, lembre--se que não existe nenhum protetor solar que ofereça proteção total ou seja completamente “resistente à água”. Por isso, é tão importante respeitar as regras de proteção solar e reaplicar
o protetor a cada duas horas ou sempre que o seu filho vai à água ou transpira.


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