DISLEXIA E VISÃO

EO 2018 Saúde | Fonte: Pin - Centro de Desesnvolvimento
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Quando abordamos o tema da Dislexia, facilmente constatamos que existe a convicção generalizada de que os disléxicos "veem as letras ao contrário". Porém, a definição desta perturbação não inclui este sintoma.

Na verdade, a Dislexia constitui uma dificuldade em ler com fluência ou precisão e em compreender o material escrito. Trata-se de uma Dificuldade de Aprendizagem Específica e é a perturbação mais frequente nas nossas escolas. Por motivos que são óbvios, é um sério obstáculo à aprendizagem, o que deixa a criança com Dislexia vulnerável ao insucesso.

É importante perceber que, contrariamente à linguagem, a leitura não é um processo natural. O mesmo é dizer que o cérebro humano não está originalmente “desenhado” para a leitura. Não possui um centro especializado nesta função. Tem de recorrer a regiões cerebrais diversas, responsáveis por outras funções específicas e fazê-lo de modo cuidadosamente orquestrado.

Após o nascimento, sempre que ouvem alguém a falar, as crianças constroem a consciência dos sons estruturais da linguagem falada. As rimas e as lengalengas que apreciam e entoam permitem a diferenciação entre os sons e conduzem à consciência fonológica essencial à leitura. Assim seja possível, antes de iniciada a escolaridade, o cérebro já fez um grande trabalho e preparou o caminho para a leitura. Já na escola, as crianças trabalham a associação entre os sons e os símbolos que os pretendem representar. Todavia, quando as infraestruturas fonológicas não estão sólidas, emerge o esforço na descodificação das letras em sons, na combinação destas em palavras e ainda na recolha do conteúdo compreensível. É neste conjunto desafinado que se encontra a base da Dislexia.

Os olhos fazem o envio de sinais visuais para o cérebro, mas a leitura é conseguida após a conversão da imagem visual numa representação fonológica. A descodificação e a interpretação das imagens captadas pelos olhos ocorre no cérebro. Os olhos não leem, o cérebro é que o faz!

Uma vez que a Dislexia é uma perturbação fonológica, a intervenção deverá incidir sobre este domínio. Os programas de reeducação têm de integrar objetivos específicos da descodificação, da fluência e da compreensão; precisamente os que estão afetados. Abordagens que incluem terapias visuais, lentes prismáticas e demais apetrechos têm por base conceitos pouco fundamentados sobre a Dislexia e poderão conduzir a uma falsa sensação de segurança sob a convicção de que algo está a ser feito. Este tipo de intervenções poderão não fazer mais que esgotar recursos e atrasar a implementação de uma intervenção ajustada.

Artigo desenvolvido por:
Carla de Menezes Cohen - Psicóloga Educacional & Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação


PIN - Centro de Desenvolvimento