A IMPORTÂNCIA DA DISLEXIA

EO 2017 Educação | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
  • slider

“Por que preciso de aprender a ler e a escrever? Todos percebem o que eu digo. Acha que preciso disto no futuro?! É muito difícil e não gosto”...

É muito frequente as crianças exprimirem desta maneira a sua frustração. Para um jovem que quer ser informático não faz sentido aperfeiçoar a leitura e a escrita. Mostrar-lhe a importância destas competências é fundamental para a sua educação, que é como quem diz, para o seu futuro.

As dificuldades de aprendizagem específicas, nomeadamente a dislexia e a disortografia, são um verdadeiro desafio na infância e adolescência. Se pensarmos que os objetivos principais destas crianças são a aceitação por parte da família e do grupo de pares, e que o êxito nas tarefas é fundamental para o desenvolvimento de uma autoestima equilibrada, conseguimos imaginar os obstáculos que as crianças com estas dificuldades enfrentam. Ler perante o olhar atento de uma turma, quando as letras não estão a seu favor, receber um teste em que a cor dominante é o vermelho a realçar o erro, ou ter de decifrar constantemente o que escreve, tem um impacto importante na construção da sua personalidade.

Sem querer, muitas vezes são os pais e professores que agravam o problema, com críticas ou comentários que levam a criança a pensar que “Eu não consigo, não sou inteligente e não vale a pena tentar!”. A ansiedade, raiva e revolta diminuem o esforço e o investimento, e aumentam o fracasso. O insucesso cria insucesso.

O acompanhamento especializado é fundamental para combater o ciclo vicioso e ajudar ao sucesso. A dislexia não se deve a uma inteligência inferior, mas a uma dificuldade de aprendizagem que afeta a capacidade do cérebro para “trabalhar” a linguagem e as letras de forma eficaz. É também importante reforçar que é uma perturbação que não desaparece milagrosamente. Acompanha o desenvolvimento das crianças e jovens com manifestações e impactos diferentes ao longo do tempo. A intervenção especializada desempenha um papel importante na caracterização, aceitação e vivência da perturbação. É um trabalho longo e contínuo, e os resultados nem sempre aparecem em pouco tempo.

O caminho para o sucesso deverá ser planeado de uma forma individual, passo a passo. Não é possível tratar quem não se acha doente, é por isso importante que jovens e famílias tenham a consciência de que lutam com um problema que não depende apenas da vontade, embora esta seja importante. Chamar a atenção para as qualidades da criança dá-lhe ânimo: “Não sou o melhor em tudo, mas existem muitas coisas que faço bem”. É fundamental envolver a família e a escola no processo, definindo limites e metas. Desenvolver atividades e materiais que façam sentido para a criança ou jovem é um fator determinante para o motivar e envolver na terapia. Por último, é importante dar apoio e estímulo para que a criança se sinta confiante nas suas capacidades para enfrentar as dificuldades do caminho.


Conteúdo desenvolvido por:
Andreia Cunha - Psicóloga Clínica no Núcleo de Dificuldades de Aprendizagem Específicas



PIN - Centro de Desenvolvimento