VAMOS ENSINAR A LER... E AGORA?!

EO 2017 Desenvolvimento | Fonte: Pin – Centro de Desenvolvimento
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A utilização de estratégias de ensino da leitura adequadas ao estilo de aprendizagem de cada criança aumentará o sucesso e a motivação para a aprendizagem. Como ensinar a ler?

A entrada no primeiro ano de escolaridade implica um conjunto significativo de desafios para a criança. Aumenta o tempo que deve estar sentada, aumenta a exigência na concentração, aumentam o ritmo e a complexidade das aprendizagens.

A par de exigências ou requisitos mais cognitivos, este novo ciclo implica que também estejam adquiridas competências emocionais, motoras e sensoriais que servirão de suporte para os novos desafios que a criança enfrenta nesta nova fase.

A aprendizagem da leitura reveste-se de especial importância nas fases iniciais da escolarização. A leitura é uma aquisição muito complexa, com bases que se iniciaram muito antes da entrada no primeiro ciclo. De uma forma geral, divide-se em dois processos: a descodificação, que permite o reconhecimento das palavras, fazendo a correspondência grafema-fonema (da letra para o som), e a compreensão, que permite a retirada de conteúdo da palavra, frase, texto.

Como podemos ensinar a ler?

Historicamente, no processo de ensino-aprendizagem da leitura, encontramos dois grandes métodos: o método fónico ou sintético, que se inicia da parte para o todo e que estabelece a relação entre o som (fonema) e a letra (grafema), e o método global ou analítico, que se suporta nos princípios da perceção visual e do significado, e que implica uma organização que vai das estruturas mais complexas, como as palavras ou as frases, para os seus elementos mais simples, as sílabas e as letras.

A partir destes métodos, têm vindo a surgir ao longo do tempo várias técnicas que procuram responder às necessidades específicas de cada criança.

Antes da escolha do método será importante conhecer as características da criança que vai ser ensinada, nomeadamente qual a sua via preferencial de aprendizagem, e perceber se os pré-requisitos necessários para se poder iniciar esta aprendizagem estão adquiridos.

Estilo visual, auditivo e cinestésico

Todas as pessoas têm uma via preferencial de aprendizagem que, sendo respeitada, torna o processo de aprendizagem menos cansativo para o aluno e mais eficaz no seu resultado. Atualmente concebem-se três estilos de aprendizagem distintos: visual, auditivo e cinestésico.

Os alunos, cuja via preferencial de aprendizagem é a visual, aprendem melhor se forem utilizadas estratégias que tenham por base a utilização de mapas conceptuais, como gráficos e diagramas, bem como o uso de imagens ou vídeos relacionados com os conteúdos a adquirir.

Quando a via preferencial é a auditiva, estes alunos beneficiam de ouvir o professor explicar a matéria durante o decorrer das aulas, podendo utilizar estratégias como a leitura em voz alta ou o recurso a audiolivros.

Os alunos que aprendem melhor por uma via cinestésica, ou seja, através da prática e do movimento, devem beneficiar de estratégias mais vivenciais, usando o corpo como ferramenta de aprendizagem, por exemplo, participando em experiências, projetos ou aulas de campo.

Importa referir que nenhum estilo é melhor do que o outro. São formas distintas de aprender e uma mesma pessoa pode ter estilos combinados.

Dentro dos dois métodos do ensino da leitura referidos, devemos escolher técnicas que se dirijam ao estilo de aprendizagem de cada criança. Esta escolha pressupõe uma avaliação aprofundada do perfil de desenvolvimento e de aprendizagem, bem como a análise dos pré-requisitos básicos para o ensino da leitura. A utilização de estratégias adequadas ao seu estilo aumentará o sucesso e a motivação para a aprendizagem.

Artigo desenvolvido por:
Ana Catarina Fonseca - Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação
Raquel Mata - Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação



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