"AVÓS ESCRAVOS”: OS REFORMADOS QUE SÃO OBRIGADOS A TOMAR CONTA DOS NETOS

EO 2018 Relatório
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Socióloga usa a expressão “avós escravos” para classificar os reformados que tomam conta dos netos porque os filhos os impõem e eles são incapazes de dizer “não”. Um terço dos avós espanhóis está nessa situação. Alguns falam de “esgotamento”.

Pode ser amor, mas não foi uma decisão tomada por iniciativa própria. Cerca de 30% dos avós espanhóis que cuidam dos netos fá-lo por decisão dos filhos. A conclusão é de um relatório da Associação de Serviços Integrais para o Envelhecimento Ativo (SIENA), divulgado pelo suplemento de educação do El Mundo.

O estudo foi feito com 750 inquiridos com mais de 60 anos (e até aos 69), 75% dos quais mulheres e 25% homens Cerca de 86% dos participantes afirmou ter netos, os outros 14% ainda não são avós. De entre os primeiros, 73% disse tomar conta deles - 38,7% alguns dias por semana; 23,5% todos os dias.

Sònia Díaz, socióloga e responsável de projetos da SIENA, usou o termo “avós escravos” para classificar aqueles que são obrigados a tomar conta das crianças e não conseguem dizer que não aos filhos”.
E referiu ainda que, se 46,8% dos avós cuidadores confessou ter tomado essa decisão em conjunto com os filhos, 30,8% admitiu terem sido os pais das crianças a decidir. Só 12,6% garantiu que a oferta partiu deles próprios.

Facto preocupante é que cerca de metade dos participantes concordou que o “avô-escravo” faz sentido, ainda que mais de um terço não goste do termo e diga que cuidar dos netos “é um prazer”.

As tarefas dos avós cuidadores são variadas e passam por levar as crianças à escola, tomar conta delas nos tempos livres e dar-lhes as refeições.

A socióloga atribui e fenómeno à transformação evidente do modelo de família e às consequências da crise económica que se instalou na Europa, e naquele país, há quase uma década. E define dois tipos de avós:

a) Os que cuidaram dos filhos e agora cuidam dos netos como uma herança natural, e que se sentem felizes com isso.
b) Os que cuidam dos netos e não conseguem impor limites aos filhos.

Neste último caso, e como defende a especialista espanhola, vários avós dizem sentir-se angustiados devido ao excesso de responsabilidade e à diminuição de energia, havendo quem fale mesmo de “esgotamento”.