QUANTO MAIS VELHOS OS PAIS, MAIS INTELIGENTES OS FILHOS

EO 2018 Estudo
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Nem tudo são más notícias para os pais que têm filhos tarde. Estudos recentes revelam que estas crianças tendem a gozar de melhores capacidades cognitivas e um nível de educação mais elevado.

Cada vez mais temos menos filhos e fazemo-lo cada vez mais tarde. Esta tendência tem prós e contras, mas uma das vantagens mais evidentes é os pais tardios terem crianças com mais capacidade cognitivas e um nível de educação mais elevado.

Espanha é, juntamente com Itália, o país da União Europeia onde as mães esperam mais tempo para ter o primeiro filho, tendo passado de uma idade média de 25,2 anos em 1975 para 30,6 em 2014.

De acordo com a 5ª edição do Retrato Territorial de Portugal (2017), do Instituto Nacional de Estatística, em 2016 a idade média para uma portuguesa ter o primeiro filho era de 30,3 anos.

As razões desta maternidade tardia são múltiplas e vão desde o aumento da idade da emancipação, devido ao desemprego juvenil e à extensão dos estudos, à falta de medidas de apoio à maternidade. A crise só agravou essa tendência, já que desenvolver uma carreira profissional que proporcione estabilidade económica é hoje um processo muito mais demorado, como relembra o jornal La Vanguardia.

Vantagens e desvantagens de ter filhos tarde

Está provado que aqueles que têm filhos tarde correm mais riscos de ter crianças suscetíveis a desenvolver doenças mentais ou congénitas, tais como a Síndrome de Down, peso baixo ao nascer ou prematuridade.

No entanto, nem tudo são desvantagens. Pesquisas recentes mostram que os pais tardios vêm a sua expectativa de vida aumentada, além de que os filhos gozam de melhores capacidades cognitivas e de um nível de educação mais elevado.

Tal deve-se ao facto de os pais tenderem a ter mais recursos económicos e sociais. Embora dependa de cada contexto e situação pessoal, pode dizer-se que aqueles que esperam mais tempo para ser pais têm mais maturidade emocional e de vida pelo simples facto de terem acumulado mais experiências vitais.
Quanto mais velhos somos, mais claras são as nossas ideias e necessidades, o que nos dá maior estabilidade emocional. Também tendemos a ser mais responsáveis e conscientes, por isso preparamo-nos e organizamo-nos melhor.

No entanto, como explica a espanhola Aroa Albert Hernández, psicóloga infantil e da família, há também estudos que apontam que a diferença geracional pode causar mais dificuldades no relacionamento familiar, especialmente em idades mais complicadas, como a adolescência.
Um dos contras é também o facto de a idade nos tornar menos aptos à mudança, podendo, por isso, ser difícil para os pais tardios adaptar-se às alterações que a paternidade implica.