QUAL A MELHOR FORMA DE INTERVENÇÃO ESCOLAR?

EO 2017 Desenvolvimento | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
  • slider

Nos dias de hoje, não é possível ver a escola considerando apenas o processo de ensino-aprendizagem ou ou as principais figuras de uma escola (Professor- Aluno).

A inclusão de profissionais de outras áreas auxilia nesta visão mais abrangente e colaborativa que qualquer processo de educação deve ter, como forma de corresponder às várias necessidades e dificuldades sentidas numa escola. Até porque, com a escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade, a educação é um processo complexo, extenso e que possui inúmeros condicionantes, bem como experiências e agentes associados.

A escola consagrou-se com uma instituição que tem a responsabilidade e a especialização de ensinar. Esta especialização reparte-se por competências entre o saber fazer, o saber estar e o saber ser pessoa nesta sociedade. Este equilíbrio ultrapassa a capacidade de saber ensinar e faz emergir a necessidade plena dos agentes principais de uma escola procurarem a possibilidade de "beber" de outras áreas que agem e intervêm no desenvolvimento humano. Além disso, uma escola aberta à sociedade e aos problemas reais da mesma, justifica esta relação.

Quando pensamos em intervenção escolar, pensamos, de imediato, em algumas áreas de intervenção que se relacionam com a educação como a Psicologia, a Terapia da Fala, a Psicomotricidade, a Terapia Ocupacional, a Fisioterapia ou o Serviço Social. Na maior parte dos casos, estas intervenções clínicas ocorrem em contexto clínico, existindo, assim, uma separação física entre os profissionais, que não ajuda a uma colaboração efetiva, com efeitos claros e rápidos nas crianças e jovens que recorrem a uma intervenção. Porém, cada vez mais as escolas incluem nas suas equipas profissionais das áreas referidas, de forma a responder à diversidade dos seus alunos e assim crescerem na sua capacidade de resposta na minimização das dificuldades sentidas.

O que está a acontecer nas nossas escolas?

Não sendo possível nenhuma das duas possibilidades referidas, denota-se hoje um movimento dos profissionais clínicos e uma abertura das escolas e colégios para acolher estes e desta forma e para que a intervenção seja feita em contexto escolar. A escola ganha a relação com um profissional que o ajudará a resolver problemas sentidos e o profissional ganha a riqueza de intervir em contexto escolar e a proximidade com os elementos diretos do processo de ensino-aprendizagem da criança/jovem.

Para qualquer profissional clínico, que exerça a sua prática em contexto escolar, é necessário conhecer e respeitar o projeto pedagógico da entidade que o recebe. Com esta regra assimilada, a função do profissional inclui:
- enriquecer a intervenção com o conhecimento das teorias de desenvolvimento e da aprendizagem;
- envolver os pais/educadores/professores no processo de intervenção e esclarecer as dimensões de intervenção no processo de dificuldades implicadas e sinalizadas;
- colmatar possíveis problemas de interação existentes na escola e que acabam por estar a influenciar diretamente a criança/jovem.

É possível que surja um constrangimento natural na colaboração entre profissionais, devido a desconsideração ou receio. Contudo, jamais se pode esquecer a contribuição de todas as áreas para o significado do que é o ensino hoje, cruzando conhecimentos que possibilitem o enriquecimento e crescimento enquanto profissional. Qualquer professor pode aprender com qualquer Técnico de uma área clínica e qualquer Técnico poderá aprender com um Professor.

Ensinar pode significar mediar as crianças/jovens no descobrimento do mundo e na construção da sua pessoa nesse mundo. A máxima “juntos somos mais fortes”, faz todo o sentido nesta construção.

Como aumentar o sucesso de uma escola?

Nesta intervenção em contexto escolar acrescentam-se alguns princípios que podem aumentar o sucesso de uma escola. É preciso ter ciente que não existem fórmulas genéricas e pré-estabelecidas de intervenção em contexto escolar. Estas podem e devem ser diversificadas, consoante o contexto, e separar os momentos de intervenção com a criança/jovem e os momentos de ligação com elementos da escola ou família. É também importante associar os objetivos da intervenção aos objetivos educativos existentes e ajustar a intervenção ao nível de ensino da criança/jovem. Por fim, considerar as fases de desenvolvimento e as suas repercussões na criança/jovem no contexto educativo e valorizar a figura do Educador/Professor como um elemento fundamental na transferência de estratégias de intervenção para o dia-a-dia e, assim, potenciar o sucesso da intervenção.

O respeito pelas áreas de formação, a colaboração e a aprendizagem dos vários profissionais podem determinar os bons resultados de uma intervenção clínica em contexto escolar. É essencial ter em consideração que, com esta possibilidade de intervenção, forma-se uma equipa de proximidade que pode, por isso, ser a “chave” do sucesso e do bem-estar pleno nas várias áreas de vida de uma criança/jovem.



Artigo desenvolvido por,
Nelson Afonso - Técnico Superior de Educação Especial e Reabilitação Psicomotora



Acompanhe também o Facebook