PERTURBAÇÃO DE HIPERATIVIDADE E DÉFICE DE ATENÇÃO NO PRÉ-ESCOLAR

EO 2019 Saúde | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
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O normal desenvolvimento durante a infância e no período pré-escolar é rápido e complexo. As crianças desenvolvem-se em domínios amplos e esse crescimento e maturação dependem de um delicado equilíbrio entre a composição biogenética da criança e as suas experiências ambientais e interações com os outros.

A PHDA é uma perturbação com sintomas que correspondem a características que são típicas do desenvolvimento da criança e, como tal, tem de ser avaliada com critério.

É muito raro fazer-se o diagnóstico antes dos quatro e os cinco anos de idade, mas a verdade é que por vezes já existem comportamentos e temperamentos que o podem fazer prever e que devemos estar atentos.

É normal ser irrequieto, impulsivo e egocêntrico na idade pré-escolar. A atenção é de curta duração e mais facilmente direcionada para atividades de interesse. Aparecem as birras por não conseguirem lidar com a frustração de não ter o que pediram ou por perder no jogo. A impulsividade e a agitação motora levam a incidentes quase diários. Não é esperado, contudo que diariamente os desafios se mantenham, sejam persistentes e mesmo com todas as estratégias aplicadas tendam a não a mudar.

No contexto escolar, os educadores dizem que “sai do seu lugar quando não deve”, “tem dificuldade em ouvir uma história até ao fim”, “quer sempre saber o que vai acontecer a seguir”, “vagueia pela sala”, “interrompe os outros”, “tem dificuldade em levar uma tarefa até ao fim”, “está sempre a saltar entre os jogos”, “fala sem parar”. “É exigente, precisa mesmo de gastar energia”.

Os pais descrevem-se como exaustos pela gestão do dia a dia. Já tentaram de tudo, não têm mais ideias. Referem dificuldades no sono e incumprimento das rotinas diárias. Aumentam as queixas de que os filhos não têm consciência das consequências do seu comportamento. São explosivos sem controlo. Exigem uma atenção parental constante. Os seus comportamentos pioram em lugares públicos e por isso as saídas em família tornam-se pouco frequentes.

Esta fase é uma enorme angústia para os pais e educadores. É preciso compreender, dar um rumo, responder a perguntas e gerir expetativas intervindo para que a sua condição não gere cada vez mais situações difíceis no seu dia a dia e não se complique para outras condições mais complexas.

Temos uma rotina para gerir ou uma tarefa em sala para terminar, o tempo passa rápido…. Neste sentido, é fundamental a criação de um ambiente estruturado, com instruções específicas e curtas, seja em contexto escolar ou familiar. Apresentam-se como planos de intervenção importantes a (1) Terapia Familiar com o objetivo de promover as relações pais-filhos através da compreensão dos comportamentos e da implementação de estratégias de resolução de problemas para os conflitos e a (2) intervenção em meio escolar com o objetivo da passagem de estratégias no sentido de monitorizar e regular o comportamento assim como promover competências ao nível das interações sociais, fornecendo à criança uma brincadeira estruturada e supervisionada em ambiente natural.

Falar sobre um diagnóstico de Hiperatividade e Défice de Atenção exige assim conhecimento e compreensão daquilo que é o comportamento mantido que estamos a observar.

A PHDA não é uma questão de má-educação.

É necessária atitude positiva e colaboração. “Vamos pensar numa solução” em vez de “Já não sei o que fazer contigo”.

Artigo desenvolvido por:

Rita Ávila, Técnica Superior de Reabilitação Psicomotora