O INÍCIO DA ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA

EO 2017 Educação | Fonte: Pin - Centro de Desenvolvimento
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A transição do ensino pré-escolar para o 1.º Ciclo do Ensino Básico é uma grande mudança para as crianças e, inevitavelmente, para as suas famílias. Tal mudança altera a rotina diária e aumenta a exigência do que é pedido às crianças, pois estas estão a iniciar a escolaridade obrigatória onde existe um programa curricular, definido pelo Ministério de Educação, e uma avaliação formal.

Muitas crianças, com cinco anos de idade e em idade pré-escolar, demonstram já possuir alguns saberes escolares, não obstante, isso não indica que estejam preparadas para ingressar no 1.º ano de escolaridade. É importante que se tenha a consciência que o tempo que as estas têm para dormir e para brincar, período esse que é imprescindível para as mesmas e que tão bem caracteriza a idade infantil, sofrerá uma redução devido ao tipo de exigências solicitadas.

O facto da pontualidade e assiduidade ser um princípio que deverá ser cumprido diariamente, assim como, a realização de tarefas diárias referentes a diversas áreas disciplinares, faz com que possamos dizer que a pressão escolar será maior.

Na escolaridade obrigatória, independentemente da metodologia utilizada, a criança irá estar mais tempo dentro da sala de aula, na qual terá de estar, maioritariamente, sentada, atenta e a executar uma tarefa, não querendo, desta forma, referir que as aulas sejam, de modo algum, expositivas ou que os professores não interajam com os alunos ou não realizem atividade lúdicas. Nestas idades é insubstituível que as tarefas solicitadas partem dos interesses, conhecimentos, experiências e dúvidas das crianças, apelando à descoberta e criatividade, com o objetivo das novas aquisições serem aprendizagens significativas.

Contudo, tais aprendizagens não se baseiam apenas na leitura, na escrita ou no cálculo. Há muitas outras competências que necessitam de ser preparadas.

Conforme já foi referido, uma das primeiras mudanças que ocorre drasticamente é o tempo destinado à realização de tarefas ou a brincadeiras. Deste modo, existirá mais tempo em que a criança deverá estar sentada e sossegada, exigindo um maior desenvolvimento da capacidade de atenção e do seu controlo motor. Nesta vertente devemos salientar que a estruturação espácio-temporal, a noção corporal e a lateralização deverão estar plenamente definidas. Para tal, será benéfico que as várias dinâmicas, durante o período pré-escolar, envolvam a estimulação de atividades que apelem à coordenação motora.

Passando do controlo motor grosso, devemos igualmente considerar o controlo motor fino, uma vez que é nesta fase que também ocorre, com maior rigor e formalidade, a iniciação da aquisição da escrita que exige alguma capacidade de planeamento micromotor (através do pintar, recortar, tamborilar, manusear objetos, …), de modo a aprimorar e a atingir o topo da motricidade fina que se baseia nos preciosos movimentos da pega da caneta/lápis e na construção minuciosa das letras do alfabeto.

Com estas aquisições, o “caminho” fica então propício para a aprendizagem da leitura e da escrita, porém, para que tal ocorra sem grandes dificuldades, a consciência fonológica deve ter sido bastante treinada a partir de lengalengas, jogos de rimas e de discriminação auditiva, bem como, não tenham sido identificados problemas a nível da oralidade.

Em paralelo, há que considerar as questões emocionais, que se centram no interesse e motivação para as aprendizagens, assim como, a importância da capacidade de resolver problemas e tomar decisões.

Não esquecer que ao ingressar no 1.º ano de escolaridade, o que as crianças conseguem, ou não, atingir terá um maior impacto, pois existirão comparações com os pares, nomeadamente na obtenção das notas na pauta.

Esta pressão, por vezes, poderá ser resultado da expetativa que se cria, esquecendo-se do ritmo de cada criança e da sua motivação para aprender e se envolver. É necessário ter-se a noção que esta nova fase é uma enorme novidade e adaptação para as mesmas, existindo pré-requisitos essenciais para que as aprendizagens se proporcionem da melhor forma.


Conteúdos desenvolvidos por:
Nelson Afonso - TSEER/RPM
Tânia Capaz - Professora de Educação Especial



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