INCLUSÃO E RELAÇÃO COM OS PARES - TENHO AMIGOS NA ESCOLA?!

EO 2017 Desenvolvimento | Fonte: Pin – Centro de Desenvolvimento
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Estar na escola, aprender, brincar e conviver com amigos deveria ser parte integrante do dia-a-dia de todas as crianças independentemente das suas individualidades, capacidades e dificuldades. Todas elas deveriam estar e sentir-se incluídas. Mas será sempre assim?

“Não brinco muito com a Maria porque não percebo o que ela diz.”

“Eu gostava de brincar com o Afonso mas ele não fala.”

“O João da minha sala não é meu amigo, nunca vem ter comigo para brincar.”

A inclusão constitui-se como um tema central das políticas educativas atuais assumindo cada vez maior importância nas práticas escolares e nas preocupações dos agentes educativos.

As políticas educativas a nível nacional e internacional evoluíram no sentido da educação inclusiva, tendo sido fundamental no compromisso de implementar e desenvolver uma educação que consagrasse o direito de todos os alunos à participação e inclusão, assim como, a serem reconhecidas as suas necessidades e ritmos de aprendizagem.

No entanto, a educação verdadeiramente inclusiva e a implementação na prática destes pressupostos, continuam a ser o grande desafio que as escolas enfrentam.

Inclusão pelo bem-estar de todas as crianças

Estar incluído não significa apenas a presença física dos alunos, mas sim o sentimento de pertença à escola e ao grupo. Pensar na inclusão é pensar no bem-estar de todas as crianças, respeitando as suas diferenças e individualidades, sendo determinante o ambiente escolar e as relações que estabelecem para se sentirem acolhidas e satisfeitas na escola.

Neste processo, os pares desempenham um papel fundamental, pois as relações recíprocas significativas são essenciais para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo através das aprendizagens e da construção da identidade pessoal. Contudo, as relações entre pares podem também ser condicionadas por fatores que geram assimetrias nessas relações, como é o caso dos atributos físicos ou intelectuais.

As competências de interação social e comunicação são fundamentais para o desenvolvimento destas relações, considerando-se como grupo de risco com propensão para a exclusão as crianças com dificuldades a estes níveis. Os défices nas competências sociais e comunicação interferem na sua aceitação pelos outros, o que pode comprometer o desenvolvimento e as oportunidades de aprendizagem, uma vez que a comunicação se constitui como um veículo de estabelecimento de elos com as pessoas e com o ambiente que as rodeia.

A importância da interação com os pares

Um dos maiores benefícios da inclusão é a oportunidade que as crianças com dificuldades possam ter para interagir com os seus pares. Estudos têm também vindo a demonstrar que os pares beneficiam do contacto com estas através da estimulação das experiências de aprendizagem, assim como da promoção de melhores relações sociais, valores positivos face à diferença e de atitudes de cooperação e aceitação.

Torna-se, pois, fundamental atuar no sentido de implementar práticas que promovam relações positivas de maior interação através de estratégias que minimizem obstáculos à aceitação e efetiva inclusão no ambiente educativo e social.

Destaca-se a importância da intervenção ao nível do desenvolvimento das competências de interação e comunicação, a formação dos agentes educativos, assim como, a sensibilização e capacitação dos pares como facilitadores do processo que contribuam para uma verdadeira inclusão.

“Brinco muito com a Maria! Às vezes não percebo o que ela diz, mas peço-lhe para ela dizer outra vez ou explicar de outra maneira.”

“Eu gosto de brincar com o Afonso! Ele não fala, mas explicaram-me e agora ele mostra-me uns cartões com desenhos para me dizer o que quer.”

“O João da minha sala é meu amigo. Não costuma vir ter comigo mas eu vou ter com ele e agora já brincamos.”

Artigo desenvolvido por
Ângela Marina Jesus - Terapeuta da Fala



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