DISLEXIA: “DRAMA” DE APRENDER A LER E A ESCREVER

EO 2016 Educação | Fonte: Pin – Centro de Desenvolvimento
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Com a entrada para o 1º Ciclo, diversos são os pais que se deparam com as dificuldades sentidas pelos seus filhos ao aprenderem a ler ou a escrever.

Todavia, em idade precoce, no decorrer do ensino pré-escolar, já se conseguem detetar alguns sinais que poderão indiciar que a criança terá um menor desempenho/aptidão na aprendizagem de determinadas competências.

Tais situações podem ocorrer quando a criança não percebe que uma frase oral pode ser dividida em palavras; as palavras podem ser fragmentadas em pequenas partes - as sílabas; e que as sílabas são constituídas por sons - os fonemas. Um outro exemplo bastante usual e frequente, mas de extrema importância, é quando a criança ao ouvir determinadas palavras não consegue reconhecer o que existe de comum entre elas, dando como exemplos: “João/balão”, não as identificando como rimas; “mala/maca” não compreendendo que ambas começam com a mesma sílaba; “cola/mola”, não conseguindo substituir os fonemas de modo a criar novas palavras.

Sem dúvida que estas aprendizagens não são fáceis! Grande é a percentagem de crianças que revelam não perceber o que lhes está a ser ensinado, levando-as a sentir-se “perdidas”, não percebendo como é que os seus amigos conseguem compreender aquele “jogo de sons e de sinais (letras)” que depois transformam-se em palavras e se organizam em frases, para posteriormente, adquirirem significado. O mesmo é dizer: leitura.

A criança é a primeira a sentir tais dificuldades, verbalizando: “não sou capaz”, ”não sei”, “tenho vergonha”, “não quero ir à escola”, “sou menos inteligente”. Este é considerado um problema que tem impacto quer no contexto familiar quer em contexto escolar. Em ambos questiona-se “porque é que a criança não consegue ler?”.

Quando surgem estes indicadores, a criança necessita de uma pedagogia diferenciada e de um incentivo para treinar a leitura (e a escrita) tornando-a fluente. Após serem aplicadas estratégias com esse intuito, se a criança ainda revelar dificuldades em associar os “sons aos sinais (letras)”, e vice versa, é aconselhado que seja sinalizada na escola, pelos pais ou professores, o mais precoce possível, de modo a efetuar-se uma avaliação especializada na área, pois poderemos estar perante uma Dificuldade de Aprendizagem Específica da Leitura e da Escrita (vulgarmente denominada de Dislexia).

Caso se conclua por uma dislexia, dever-se-á iniciar um trabalho de reeducação com o objetivo de ajudar a criança a minimizar as suas lacunas e adquirir novos conhecimentos. Uma criança disléxica consegue aprender o mesmo que os seus colegas, no entanto necessita de um maior esforço e mais tempo para os adquirir. Essas dificuldades não são resultado de “preguiça”, “esquecimento” ou de mau comportamento, apesar de por vezes existirem tais manifestações, o que refletem a frustração e incapacidade face ao insucesso.

Na escola estas crianças deverão, sempre que se justifique, serem abrangidas pelo Decreto-Lei 3/2008, de forma a sustentar as suas dificuldades e capacidades, não sendo assim penalizadas devido às lacunas a nível da leitura e da escrita. Deste modo, poderão usufruir de apoio pedagógico personalizado (trabalho especializado direcionado para as suas dificuldades) e de adequações no processo de avaliação (não serem contabilizados os erros ortográficos; ter mais tempo para a realização das tarefas propostas; usufruírem de leitura dos enunciados escritos, caso se justifique;…).

Tais medidas não têm como objetivo facilitar no processo de ensino-aprendizagem, mas sim proporcionar as condições necessárias para que a criança demonstre o seu saber.

Ser disléxico não significa não ter um futuro de sucesso!

Conteúdo desenvolvido por,
Tânia Capaz, professora de Educação Especial no centro PIN




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