DIFERENTES ESPECIALIDADES, A MESMA VISÃO

EO 2016 Educação | Fonte: Pin – Centro de Desenvolvimento
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Compreenda a importância do trabalho de equipas multidisciplinares em contexto escolar.

Atualmente as nossas escolas são alvo de um conjunto de desafios diversificados em virtude da alteração do modo como se encara a educação no nosso país. Estas alterações traduzem-se num esforço acrescido dos diferentes agentes educativos para garantir o sucesso de crianças e jovens com caraterísticas e necessidades diferentes entre si.

Neste âmbito, a educação especial constitui-se, para muitos, como um desafio adicional, uma vez que foi considerada durante muito tempo como uma área paralela à “educação comum”.

A alteração de paradigma, a este nível, e a que assistimos hoje em dia, permite-nos caminhar lado a lado, numa resposta mais inclusiva e orientada para as potencialidades de todas as crianças e jovens.

Deste modo, o aparecimento de equipas interdisciplinares exteriores à Escola, mas a laborar em contexto educativo, é uma das mais-valias desta alteração de mentalidade, no sentido em que esta resposta permite uma abordagem integrativa sob diversos ângulos, cujo foco é a criança /jovem, garantindo assim uma visão holística e eclética, das suas caraterísticas e necessidades.

Esta forma de trabalhar, em colaboração e cooperação com diferentes técnicos, é imprescindível nos dias que correm, uma vez que o trabalho de equipa, visto como um conjunto ou grupo de pessoas que se dedicam à realização de uma determinada tarefa ou a atingir um objetivo comum para todos, potencia e eleva a taxa de sucesso académico de alunos com necessidades educativas especiais, no sentido em que as diferentes perspetivas se conjugam e complementam para um bem maior, que é a criança/jovem.

Tendo como ponto de partida a premissa descrita anteriormente, considera-se que o grande desafio que se coloca, no trabalho em equipa desenvolvido em contexto educativo, passa exatamente por alterar a perspetiva de um trabalho isolado levado a cabo por um único técnico, ou por vários profissionais da mesma área de saber, para uma intervenção interdisciplinar, que integra diferentes áreas científicas e técnicas que contribuem com diferentes conhecimentos teóricos e práticos.

Os conhecimentos técnicos de cada área, em articulação com a família e com a escola, contribuem para a definição do melhor percurso académico para o aluno e potenciam a sua taxa de sucesso, no sentido em que realizam as suas intervenções em contexto real. Esta é a grande vantagem de uma intervenção em contexto escolar.

A participação em ambientes mais diversificados, mais próximos da “vida real”, implicam por vezes uma adaptação da postura do profissional que medeia a interação, privilegiando modelos de intervenção mais flexíveis, em que é seguida a iniciativa da criança e são respeitadas as caraterísticas do contexto, ao invés de uma estrutura formal. Esta intervenção mais próxima e adaptada ao quotidiano das crianças favorece a convivência e interação entre todos os alunos, criando oportunidades de aprendizagem que elevam as suas competências em diversas áreas do dia-a-dia.

As equipas que medeiam todo o processo são constituídas por diversas especialidades (Psicologia, Terapia da Fala, Educação Especial e Reabilitação, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Psicomotricidade, entre outras), que em conjunto com o corpo docente, contribuem para uma colaboração e articulação não apenas na intervenção das situações identificadas, mas também no desenvolvimento de uma maior e melhor sinergia entre escola-técnico-família, bem como numa melhor efetivação de procedimentos formais.

Ao criarmos espaço para a constituição de equipas multidisciplinares, no contexto educativo, estamos a “abrir caminho” para novas abordagens referentes ao harmonioso desenvolvimento da criança, onde esta passa a ser intervencionada na sua globalidade e não de modo fragmentado. Com estas novas equipas é possível uma visão ecológica e sistémica da criança.

O aumento de eficácia na articulação com o corpo docente e o desenvolvimento de estratégias adequadas ao contexto específico em que a criança/jovem se insere, aliados à prevenção e deteção de novas situações, são vistos como indicadores positivos de um trabalho de equipa funcional.

Contudo, o tempo surge como um dos principais obstáculos à eficácia do trabalho em equipa, no sentido em que é peça essencial para o polimento e ajuste das diferenças pessoais e singulares de cada elemento da equipa, associando-se à necessidade fundamental de troca de conhecimentos e perspetivas sobre a mesma temática. Este tempo é muito importante para a construção de uma equipa coesa com uma visão partilhada e uma estruturação interna coerente ao nível dos objetivos estabelecidos e graus de autonomia.

A dedicação de cada elemento do processo de aprendizagem da criança é fundamental. Porém, é importante refletir até que ponto o trabalho de cada um poderá ser condicionado por uma abordagem singular, focada apenas em alguns objetivos específicos. É essencial uma visão holística e abrangente, construída a partir da partilha de conhecimentos e experiências entre todos, direcionada para objetivos comuns. Esta visão define o conceito de equipa e assume-se como determinante para o sucesso das crianças e jovens no seu percurso académico, pessoal e social.

Texto escrito por, Equipa PIN-ED
Ana Catarina Velez – Psicóloga
Ana Rita Santos – Terapeuta da Fala
Nelson Afonso –Técnico de Educação Especial e Reabilitação Psicomotora e Coordenador da Equipa PIN-ED
Nídia Amorim - Técnica de Educação Especial e Reabilitação Psicomotora
Sara Figueiredo – Psicóloga

PIN – Progresso Infantil