MÉRTOLA E O GUADIANA: HISTÓRIA E PAISAGEM JUNTO À FRONTEIRA

EO 2018 AlentejoPasseioM/0
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Propomos-lhe um fim-de-semana que alia uma verdadeira viagem através do tempo, na visita a Mértola, à descoberta do fascinante rio Guadiana.

A vila de Mértola, vestígio mais importante da presença árabe em Portugal, justifica a denominação de Vila-Museu, e merece uma visita e passeios a pé pelas suas ruas estreitas e encantadoras. Apresenta um património riquíssimo, onde o castelo de origem muçulmana, e a igreja matriz, são espaços a não perder.

Mas não é tudo, são diversos os espaços museológicos espalhados por Mértola. Colecções variadas dão a conhecer a história da vila e dos povos que por ali passaram e deixaram as suas marcas. Um núcleo romano, um bairro islâmico e uma oficina de tecelagem que trata de uma das mais antigas e bem preservadas artes tradicionais da região de Mértola, a tecelagem de mantas de lã, são algumas das possibilidades.

Tem ainda ao seu dispor, o núcleo do Ferreiro, a antiga Forja do ti Brito, recuperada e musealizada, albergando dezenas de artefatos desta atividade tradicional. Para não se perder, o melhor mesmo é contactar previamente o posto de turismo ou no Museu de Mértola e estabelecer o seu percurso. Além do mais, alguns destes espaços requerem marcação prévia. O que também requer marcação e justifica o passeio, é a Ecoteca fluvial Saramugo, uma embarcação transformada e equipada para o desenvolvimento de acções de sensibilização ambiental, de ecoturismo e natureza do Guadiana. Embarque e fique a conhecer o saramugo, pequeno peixe em vias de extinção da bacia hidrográfica do rio Guadiana.

À noite, e porque o dia abriu o apetite, nada melhor do que um jantar tipicamente alentejano. O restaurante Alengarve é uma boa hipótese, principalmente para os apreciadores de migas alentejanas. Se quiser pernoitar por ali, a Casa de hóspedes Beira-Rio, no centro da vila, é uma solução económica. Sem luxos mas acolhedora. Peça um quarto com vista para o rio. Mas existem outras opções atrativas como a Estalagem São Domingos (Hotel de 5 estrelas situado no "Palácio" da aldeia de São Domingos), o Hotel Guerreiros do Rio, com uma excelente localização e óptimas promoções, ou a Ecoland, empresa de ecoturismo que dá especial atenção às atividades para as crianças.

No domingo, o destino é a aldeia de São Domingos, a 18 quilómetros de Mértola, considerada no século XIX um dos mais importantes centros de extracção de pirite e cobre da Europa, deu origem à aldeia que ainda hoje reflecte a arquitetura da empresa inglesa que esteve na sua origem. Hoje as minas estão desactivadas mas constituem um exemplar de arqueologia industrial muito interessante pois as ruínas deixam adivinhar a intensa atividade de quem lá trabalhava.

De carro, porque a distância ainda é considerável, siga o que resta da antiga linha de ferro que ligava as minas ao Pomarão, uma pequena região que na altura servia de porto fluvial e de onde partiam os barcos carregados com o minério extraído em São Domingos. Vale a pena fazer o caminho possível e observar as pequenas lagoas de águas encarnadas, que se encontram durante o percurso. Se preferir fazer um passeio de barco, bicicleta ou bugggie contacte a empresa Inland adventures.

Siga agora na direcção de Alcoutim, situado a 8 quilómetros a sul desta localidade, em Guerreiros do Rio, o Museu do Rio recentemente reestruturado e ampliado, versa sobre o Rio Guadiana, a sua história, a ligação ao minério através do transporte fluvial, o património natural e cultural que lhe estão ligados, nomeadamente os tipos de pesca. Aqui está patente a exposição "Barcos Tradicionais do Baixo Guadiana" que apresenta réplicas em miniatura dos barcos que circularam no baixo Guadiana nas mais variadas atividades.

Antes de rumar a casa não se esqueça de comprar alguns dos magníficos queijos e enchidos característicos desta região.