QUANDO A ÁGUA VAI AO MUSEU

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O Museu da Água reúne e dinamiza um conjunto de monumentos e de edifícios que representam um importante capítulo da história do abastecimento de água. Este ano, estão abertos ao público gratuitamente aos fins de semana. Um passeio que se desdobra em quatro, com vista para o maior arco em pedra do mundo.

Podemos começar o dia com uma vista privilegiada de Lisboa sobre o Vale de Alcântara. Construído entre 1731 e 1799, o Aqueduto das Águas Livres constituiu o primeiro sistema regular de abastecimento de água à cidade. Este sistema, construído durante o séc. XVIII a mando do Rei Magnânimo, D. João V, consiste num total de 58 quilómetros de canalizações existentes entre as nascentes, localizadas a 15 quilómetros, a noroeste de Lisboa, e os chafarizes da capital. No seu trajeto, destaca-se a travessia do vale de Alcântara, ao longo de 941 metros, com arcadas que atingem a altura máxima de 65 metros. O percurso é visitável pelos passeios laterais entre Campolide e o Parque Florestal de Monsanto.

A cerca de 10 minutos a pé, situa-se o Reservatório da Mãe d’Água no belíssimo Jardim das Amoreiras. Projetado em 1746, pelo arquiteto húngaro Carlos Mardel, este reservatório foi construído para receber e distribuir as águas transportadas pelo Aqueduto das Águas Livres. No interior do edifício, destaque para o tanque de água, com profundidade de 7,5 metros e com uma capacidade de 5500 metros cúbicos de água. Não perca a oportunidade de aceder ao terraço panorâmico para apreciar a vista sobre a cidade de Lisboa. Na frente ocidental do reservatório, está instalada a Casa do Registo, onde eram controlados os caudais de água dirigidos aos chafarizes, às fábricas, aos conventos e às casas nobres.

Da casa do Registo, situada mesmo por debaixo do Reservatório da Mãe d’Água, temos acesso à Galeria subterrânea do Loreto. Esta galeria com visita guiada, mediante marcação, vale mesmo a pena. Com um trajeto disponível de cerca de 1.250 metros, a visita termina no Miradouro de São Pedro de Alcântara. A Galeria do Loreto, construída em 1746, fazia parte de uma rede emissária constituída por cinco galerias, maioritariamente subterrâneas, com cerca de 12 quilómetros de extensão, cuja função era assegurar o fornecimento de água a chafarizes e alguns estabelecimentos públicos, como hospitais, fábricas, conventos e casas nobres.

Escondido no subsolo do Jardim do Príncipe Real, encontra-se o Reservatório da Patriarcal, cuja construção foi concluída em 1864. Foi um dos primeiros reservatórios da rede de distribuição, projetada em 1856 pelo engenheiro francês Louis-Charles Mary, que possibilitou o fornecimento de água aos habitantes de Lisboa. O Reservatório da Patriarcal, inicialmente abastecido pelo Aqueduto das Águas Livres e, a partir de 1890, pelas águas do Aqueduto do Alviela, apresenta uma forma octogonal, coincidente com o desenho do lago que se encontra no topo. Este Reservatório tem também ligação à Galeria do Loreto sendo possível realizar este percurso subterrâneo com visita guiada, todos os sábados, às 11h e às 15h. O percurso com 410 metros termina no Miradouro de S. Pedro de Alcântara.

Localizada na encosta da Graça, situa-se a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, construída na cerca de um extinto convento franciscano ocupado, entre 1747 e 1834, pela ordem religiosa dos Barbadinhos Italianos. Neste local, foi construído nos finais do séc. XIX, o reservatório dos Barbadinhos para receber a água do Rio Alviela. Junto a este reservatório, foi instalada a estação elevatória a vapor, inaugurada a 3 de outubro de 1880, destinada a bombear água do aqueduto do Alviela para a cidade de Lisboa. A Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos esteve em funcionamento entre 1880 e 1928. Atualmente, preserva as antigas máquinas a vapor e as suas bombas, testemunhos enriquecedores da arqueologia industrial. Em 2010, o edifício da estação elevatória a vapor foi classificado como Conjunto de Interesse Público. Poderá ainda visitar, na antiga sala das caldeiras, a Exposição Permanente, que permite um melhor entendimento sobre a relação entre os espaços que constituem o Museu da Água. Aqui são abordadas várias temáticas da água nas vertentes da história, da ciência, da  tecnologia e da sustentabilidade, convidando o visitante a explorar, através de recursos digitais, conteúdos como a presença da água no planeta, a história do abastecimento de água a Lisboa, o ciclo hidrológico, o ciclo urbano da água, a poluição da água, a pegada hídrica, entre outros.

O Aqueduto das Águas Livres e o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, ambos monumentos nacionais, o Reservatório da Patriarcal, as galerias subterrâneas do Aqueduto das Águas Livres e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos - construídos entre os séculos XVIII e XIX – constituem, assim, o Museu da Água e integram o roteiro histórico, patrimonial, tecnológico e científico da Água em Lisboa. São objetivos pedagógicos do Museu: estimular o uso eficiente da água; compreender o ciclo hidrológico; compreender o ciclo urbano da água; valorizar o património histórico relacionado com o abastecimento de água; conhecer o funcionamento da sociedade, nos diversos aspetos que a compõem, antes da construção do Aqueduto das Águas Livres; perceber a importância da água no contexto do desenvolvimento da cidade, nomeadamente no favorecimento das condições de vida da população; sensibilizar para as temáticas da poluição e desperdício da água e criar laços de afetividade com o património da cidade de Lisboa. No ano em que a EPAL comemora o seu 150.º aniversário, a entrada nos vários núcleos do Museu é gratuita aos fins de semana, pelo que pode e deve aproveitar a oportunidade.

Se pretender fazer todas as visitas no mesmo dia, reúna o consenso dos vários elementos do grupo e almoce no restaurante que ganhar mais votos!