NOVAS CRIAÇÕES

EO 2019 LisboaBailado16 a 19 Mai., 4ª a 6ª: 21h, Sáb.: 18.30h, Dom.: 16hM/69€ a 19€
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A Companhia Nacional de Bailado apresenta o espetáculo “Novas criações” composto por dois bailados.

"Annette, Adele, e Lee" é o título da nova criação de Rui Lopes Graça com João Penalva para a Companhia Nacional de Bailado e afirmar-se como uma história de bailarinos. Em “Madrugada”, a segunda criação, pode perceber que é durante a madrugada que os bailarinos dão vida a este espetáculo. Dançam a noite toda.

Annette, Adele e Lee
Os três nomes próprios que constituem o título poderão sugerir um triângulo amoroso, mas este não é um bailado narrativo. São, na verdade, os nomes dos três bailarinos de sapateado que, contratados para dançar num estúdio de gravação de som, deram origem ao material com que David Cunningham compôs o som para este bailado.

Os bailarinos que vemos, de formação clássica, dançam ao som dos seus colegas do sapateado. Quanto a esses pode apenas imaginá-los e perguntar como serão.  No entanto, os trinta minutos de grande complexidade de padrões sonoros e coreográficos  —  em que a presença dos três bailarinos é contínua —  tornarão memoráveis os seus nomes.

Madrugada
A hora do dia – da noite? – em que a máquina do tempo parece mais perfeitamente equilibrada é também a hora mais excessiva. Lusco-fusco,exaustão do corpo, fim de festa, regresso à luz. Dançar a noite toda. No fim o corpo já não pensa, só reage. Todos juntos no escuro: a música, os olhos, as histórias, os tropeções, o corpo suado. Todos consigo mesmos: os olhos fechados, ver muito para dentro, por dentro, o corpo frenético. A noite é de todos, mas a dança é cada vez mais íntima, sozinha. À volta, tudo parece desfocado, tudo parece possível.

Sair do próprio corpo, como se os pés deixassem de tocar no chão. Um transe, a máquina do tempo engasga-se. O lugar é difuso, fica algures entre o céu e a terra. Por cada madrugada límpida há uma madrugada onde cabe quase todo o escuro das noites em que não se sabe nada do que aconteceu.