HISTÓRIAS DE ROSTOS: VARIAÇÕES BELTING

EO 2019 LisboaExp. TemporáriaAté 15 Set., 2ª a Dom: 10h-19hM/05€
  • slider

Partindo da obra Faces. Uma história do rosto, de Hans Belting, a exposição Histórias de Rostos: Variações Belting convoca uma leitura interpretativa de uma seleção de obras de arte e de outros âmbitos disciplinares que têm por base a representação do rosto.

A exposição permite-nos refletir sobre as diferentes questões suscitadas por esta inesgotável temática, bem como as relações do rosto com diversas problemáticas que atravessam as épocas e as culturas. São exemplo delas o uso de máscaras e os rituais funerários, as questões de identificação e policiamento, o retrato, o autorretrato e a identidade, a memória e o arquivo.

Do singular ao plural, da “face” humana aos seus distintos “rostos”, percorre-se um itinerário cujo ponto de partida é o ritual funerário (sala 1), considerado por Belting como a origem da imagem. Caminha-se depois pela gramática da fisionomia e das expressões, que foi concebida como uma capacidade de reconhecer a interioridade de alguém a partir do exterior (sala 2: fisiognomia e expressão).

De seguida, é abordada a relação entre identificação, policiamento e sujeito, bem como a forma como se expressa no arquivo. Analisa-se também a sua ligação original com o exercício do poder e do controlo social, levado a cabo mediante a criação de um registo estatístico dos indivíduos. Neste contexto, a fotografia foi mobilizada para captar os rostos anónimos que, longe de a procurar, buscavam sobretudo resguardar-se do olhar das autoridades (sala 3: policiamento do rosto).

Continua-se com a questão da relação entre a face e a máscara no contexto do colonialismo e da vanguarda artística (sala 4: máscaras mudas) e na construção do retrato enquanto género artístico (sala 5: retrato, um género).

Passa-se igualmente pela massificação mediática que tende a fazer desaparecer a personalidade num inquietante “tornar-se massa” (sala 6: media faces).
Pelo meio, toma especial relevo o trabalho de Jorge Molder — a quem Hans Belting dedica um capítulo de Faces. Uma história do rosto —, no qual se aborda a questão da autorrepresentação do eu, entre a distância e a intimidade consigo mesmo (sala 7: Jorge Molder).

A questão do arquivo reaparece na sua relação com a memória e também no seu desvio em relação à função política da identificação (sala 8: Arquivo, memória).
O “final” é um eterno retorno à expressão e proliferação dos rostos: uma impossibilidade de encerrar o assunto, um ponto de fuga vertiginoso no qual rosto e rostos resistem perpetuamente, renovando-se e escapando sempre a qualquer apreensão (sala 9: Ponto de fuga: guintche).

Obs.: Gratuito até aos 6 anos e ao sábado.